26/Jun/2026
Segundo a Agroconsult, a produção brasileira de milho da 2ª safra de 2026 estimada em 115,8 milhões de toneladas deverá ampliar a oferta nacional em 2025/26, mas o aumento do volume não garante melhora na rentabilidade dos produtores. As margens permanecem pressionadas pelos elevados custos de produção e pelos preços deprimidos nos mercados doméstico e internacional. Nesse cenário, a elevada produtividade obtida nas áreas semeadas dentro da janela ideal de plantio tornou-se o principal fator de sustentação econômica da atividade. A área cultivada ficou abaixo do potencial projetado no início do ano. A estimativa inicial era de 18,7 milhões de hectares, mas produtores reduziram o plantio ao evitarem assumir riscos financeiros em áreas fora da janela climática recomendada, diante do elevado custo de implantação da lavoura.
Esse movimento favoreceu a expansão de culturas alternativas, especialmente o sorgo, cuja área cresceu cerca de 20% em Estados como Goiás e Minas Gerais. A menor exigência hídrica da cultura, aliada ao aumento da demanda das usinas de etanol da região, contribuiu para essa mudança no perfil de plantio. Os levantamentos de campo do Rally da Safra indicam que o potencial produtivo do milho de sequeiro no Brasil continua evoluindo, impulsionado pelo avanço dos materiais genéticos e pelo aperfeiçoamento das práticas de manejo nutricional e fitossanitário. O controle de pragas também contribuiu para reduzir perdas iniciais e elevar o número de espigas viáveis por hectare. Apesar desse avanço tecnológico, foi identificado aumento da incidência da lagarta-do-cartucho em diversas regiões produtoras. No oeste de Mato Grosso, por exemplo, a presença da praga passou de 44% para 56% das áreas monitoradas, mesmo sob condições climáticas favoráveis.
No mercado, o consumo doméstico continua oferecendo sustentação à demanda. A Agroconsult estima utilização interna de 105,5 milhões de toneladas, impulsionada principalmente pelos setores de proteína animal e pela produção de etanol de milho, segmento que responde por quase 30 milhões de toneladas do consumo nacional. Em contrapartida, o escoamento da produção para o mercado externo tende a enfrentar maior concorrência. Embarcar cerca de 40 milhões de toneladas será um desafio diante da elevada oferta internacional, especialmente dos Estados Unidos e da Argentina, que também registram safras volumosas e competem diretamente com o milho brasileiro nos mercados de exportação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.