26/Jun/2026
O avanço da colheita da 2ª safra de 2026 e os bons resultados iniciais das lavouras mantêm o mercado brasileiro de milho sob pressão, mesmo com perdas localizadas provocadas pelo clima. A oferta ainda deve superar com folga o consumo doméstico, enquanto a necessidade de disputar espaço no mercado internacional tende a limitar uma reação mais firme das cotações no curto prazo. Os primeiros números da 2ª safra de 2026 confirmam uma produção positiva, sobretudo nas áreas que entraram primeiro na colheita. O resultado dá tranquilidade aos compradores e reduz a urgência de originar produto, apesar do ritmo forte de consumo interno, puxado principalmente por ração e etanol.
A produção ainda excede bastante o consumo doméstico. Esse excedente precisará ser direcionado ao exterior, mas o cenário internacional também é desfavorável ao milho brasileiro. A expectativa de uma safra cheia nos Estados Unidos mantém a Bolsa de Chicago pressionada e preserva a competitividade do cereal norte-americano. Nesse ambiente, o Brasil terá de ajustar preços para ganhar espaço nas exportações. Para esse milho se apresentar como uma via competitiva no mercado global ele vai ter que ser precificado para baixo.
É prematuro afirmar que o mercado já encontrou um piso. As áreas afetadas por problemas climáticos devem entrar mais tarde na colheita e ainda podem alterar a leitura sobre a oferta final. Ainda assim, há maior dificuldade para o milho romper de forma sustentada a faixa de R$ 62,00 a R$ 63,00 por saca de 60 Kg. Uma recuperação mais consistente, porém, ficaria para o segundo semestre e dependerá do comportamento da safra norte-americana, do câmbio e da capacidade de o Brasil ampliar os embarques. O mercado interno mantém o ritmo de lentidão e liquidez restrita.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, os preços na exportação não atraem vendedor. O produtor vem segurando as vendas físicas, indicando que o pico de oferta será entre agosto e setembro. No mercado disponível, usinas de etanol buscam entrega na modalidade CIF. Via cooperativa, lotes pontuais são comercializados a R$ 46,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega imediata e pagamento em 31 de julho. Para setembro, a indicação direcionada à exportação é de R$ 44,50 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2027, usinas de etanol indicam R$ 46,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho de 2027 e pagamento em agosto, e R$ 48,00 por saca de 60 Kg CIF, para liquidação até outubro de 2027.
No Paraná, na região de Maringá, o mercado de milho não tem direção clara. Os negócios são concentrados em operações internas entre cooperativas e tradings, ligadas ao uso de crédito de PIS e Cofins, enquanto o mercado tradicional de exportação continua distante das pedidas de venda. Na exportação, o milho está travado. No Porto de Paranaguá, a indicação de tradings para entrega em julho e pagamento em agosto é de R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF, insuficiente para atrair oferta.
Para entrega em agosto e pagamento em 15 de setembro, a indicação é de R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF. Os vendedores, porém, indicam R$ 69,00 por saca de 60 Kg CIF, distância que mantém os negócios bloqueados. Na ferrovia da região de Maringá, o cenário também é de baixa fluidez, com compradores abaixo das pedidas e vendedores pouco dispostos a ceder. O produtor tende a esperar uma recomposição das indicações antes de ampliar oferta, enquanto os compradores seguem testando preços mais baixos diante da exportação fraca.