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26/Jun/2026

MS: lentidão na colheita e comercialização atrasada

Segundo dados do Projeto Siga-MS, executado pela Aprosoja-MS com apoio do Fundems/Semadesc, a colheita do milho 2ª safra de 2026 em Mato Grosso do Sul avança em ritmo lento, enquanto a comercialização do grão também permanece abaixo do observado no ciclo anterior. Até a terceira semana de junho, os trabalhos de campo atingiram 0,20% da área cultivada, recuo de 4,1% em relação ao mesmo período do ciclo passado. O Estado cultiva área estimada em 2,206 milhões de hectares, com produtividade média projetada em 84,2 sacas de 60 Kg por hectare e produção total prevista de 11,139 milhões de toneladas. A 2ª safra de milho de 2026 ocupa cerca de 46% da área destinada à soja no Estado, participação inferior aos 75% registrados em anos anteriores, refletindo ajustes no sistema produtivo.

A redução da área relativa está associada às limitações impostas pela janela de plantio definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que considera fatores como regime de chuvas, risco de geadas e condições de manejo. Parte das áreas fora do período ideal tem sido direcionada para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens. No campo comercial, a venda antecipada do milho 2ª safra de 2026 também apresenta atraso. Mato Grosso do Sul havia comercializado 29,5% da produção até o dia 22 de junho, queda de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025. O ritmo mais lento de colheita e vendas mantém o mercado sem sinais de reação mais consistente no curto prazo. O principal fator de atraso é o volume elevado de chuvas registrado nas principais regiões produtoras, que dificulta a entrada de máquinas no campo e reduz o avanço da retirada do grão.

O calendário da colheita tende a ganhar intensidade a partir da segunda quinzena de julho, com pico entre o fim de julho e o início de setembro. No entanto, a maior instabilidade climática neste ciclo reduz a previsibilidade da janela operacional, com risco de chuvas irregulares, ventos fortes e eventual ocorrência de granizo. O quadro das lavouras ainda é majoritariamente favorável, com 70,8% em condição boa, 18,3% em condição regular e 10,9% em condição ruim. As melhores avaliações estão nas regiões norte, nordeste e oeste do estado, onde a proporção de áreas boas varia entre 79,4% e 92,1%. A região centro apresenta o cenário mais desfavorável, com 23,8% das lavouras em condição ruim, seguida pela sul-fronteira, com 17,7%.

No sul, principal polo produtor, 64,1% das áreas estão em boas condições e 31% em situação regular, indicando heterogeneidade no desenvolvimento das lavouras. A previsão climática para o período entre 22 de junho e 8 de julho indica acumulados de chuva entre 10 e 50 milímetros nas regiões centro-sul, sudeste e nordeste do Estado, o que pode manter restrições ao avanço da colheita. Apesar de o milho apresentar maior tolerância ao atraso de retirada em relação à soja, a instabilidade climática aumenta o risco de perdas pontuais e reforça a necessidade de gestão da janela de colheita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.