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25/Jun/2026

China usa estoques antigos e pressiona mercado

A China está utilizando estoques antigos de grãos para ampliar a oferta doméstica e conter a pressão sobre os preços do milho. O movimento indica, na análise do especialista, que o mercado doméstico de milho no país passou de uma condição apertada para um cenário mais folgado. A estratégia combina políticas simultâneas de sustentação e descompressão de preços. De um lado, autoridades chinesas liberam reservas antigas de milho para reduzir custos de fábricas de ração e da indústria de processamento. De outro, a estatal Sinograin realiza compras no nordeste da China, principal região produtora, com o objetivo de sustentar as cotações recebidas pelos agricultores locais. O movimento ocorre em meio a oscilações climáticas e ajustes de oferta que influenciaram o comportamento recente dos preços.

As cotações do milho na China haviam recuado para abaixo de 2.000 yuans por tonelada no fim de 2024 e se recuperaram ao longo do primeiro semestre de 2025. Após nova queda na colheita de setembro e outubro, os preços voltaram a subir com chuvas intensas que afetaram parte da produção, atingindo cerca de 2.300 yuans por tonelada em março deste ano. Entre dezembro e fevereiro, os preços à vista ficaram entre 9% e 11% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. A partir de maio, o quadro passou a indicar enfraquecimento da demanda. A procura de pecuaristas e processadores industriais perdeu força, enquanto aumentou a oferta de grãos alternativos ao milho. Na Bolsa de Dalian, os contratos futuros subiram cerca de 7,5% entre janeiro e abril, mas recuaram em maio, com leve recuperação no início de junho. Entre o fim de abril e 18 de junho, a queda acumulada foi de aproximadamente 4%.

Parte relevante da pressão sobre o mercado vem da liberação de estoques de milho importado acumulados no período de compras intensas da China entre 2020 e 2023. As vendas dessas reservas somaram cerca de 5 milhões de toneladas entre outubro de 2025 e abril de 2026. Análises do setor indicam que esse volume ajudou a cobrir a escassez no fim de 2025, reduziu custos da indústria de ração e gerou vantagem competitiva em termos de qualidade do produto. Estimativas de mercado indicam que as vendas de milho importado de estoques podem alcançar 10 milhões de toneladas ao longo de 2026. No leilão mais recente, em 16 de junho, todo o volume ofertado foi comercializado, embora a redução dos prêmios tenha sido interpretada como sinal de menor competitividade entre compradores. Além do milho, outros grãos também vêm sendo utilizados na política de gestão de estoques.

A Sinograin tem leiloado arroz antigo, inclusive volumes fora do padrão para consumo humano, direcionados à indústria de ração, com preços iniciais em torno de 1.500 yuans por tonelada, com o objetivo de evitar retorno ao consumo alimentar. Estimativas apontam que essas vendas podem deslocar até 8 milhões de toneladas de milho em 2026. O trigo segue dinâmica semelhante, com leilões de estoques antigos adquiridos entre 2017 e 2020 em programas de sustentação de preços. Parte desses volumes foi redirecionada para fábricas de ração, com estimativa de 4,4 milhões de toneladas no ano comercial 2025/26. Ainda haveria cerca de 20 milhões de toneladas de trigo antigo disponíveis para eventual liberação ao mercado. A colheita recente de trigo também adiciona concorrência ao milho, com aumento da oferta de trigo germinado direcionado à ração, estimado entre 8 milhões e 10 milhões de toneladas, apesar de o governo chinês afirmar que a safra foi positiva.

As importações chinesas de cereais seguem relativamente limitadas. Entre janeiro e maio de 2026, o país comprou 16,4 milhões de toneladas, alta de 45% sobre uma base deprimida do ano anterior. Desse total, 6,69 milhões de toneladas foram de cevada, 2,69 milhões de toneladas de sorgo, 2,72 milhões de toneladas de trigo e apenas 880 mil toneladas de milho, com compras de milho em maio limitadas a 60 mil toneladas. Não há sinais de que a China, no curto prazo, pretenda ampliar importações de milho norte-americano ou reduzir de forma significativa seus estoques estratégicos para abrir espaço a novas compras externas, embora essa possibilidade não esteja descartada em compromissos mais amplos de aquisição de produtos agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.