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24/Jun/2026

Preços do milho pressionados pela oferta crescente

O avanço da colheita da 2ª safra de 2026 mantém o mercado brasileiro de milho sob pressão no curto prazo, com oferta crescente e pouca disposição dos compradores para ampliar posições. Os primeiros resultados de campo têm sido positivos e reforçam a percepção de disponibilidade elevada de produto. A partir de outubro, porém, o mercado tende a incorporar com mais força a demanda doméstica e a possibilidade de menor área de milho na safra de verão (1ª safra 2026/27). Nesse cenário, a oferta disponível no início do próximo ano pode enfrentar uma disputa maior entre exportadores e consumidores internos, especialmente os segmentos de ração e etanol.

A sustentação mais consistente dos preços dependerá de como essa disputa se desenhará depois que a entrada da 2ª safra de 2026 perder força. No mercado interno, o milho segue enfrentando o recuo de compradores e a forte pressão da entrada da 2ª safra sobre as cotações. Diante do avanço inicial das colheitadeiras no Centro-Sul, as indústrias de consumo doméstico e os canais de exportação adotam uma postura defensiva, postergando as aquisições. Do lado vendedor, o foco se volta para as previsões de baixas temperaturas na expectativa de um repique nos preços, embora as condições meteorológicas atuais não coloquem o potencial produtivo geral em risco iminente.

Em São Paulo, na região de Campinas, observa-se ausência de compradores no mercado interno e exportadores. No disponível, as indústrias indicam R$ 57,00 por saca de 60 Kg FOB, enquanto os produtores estão fora do mercado após os últimos lotes serem negociados a R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB. Para exportação, tradings indicam R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá (PR), para entrega em agosto e R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF, para setembro.

Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, os compradores do mercado interno indicam R$ 43,00 por saca de 60 Kg FOB no disponível, nível que gera resistência dos produtores e limita as vendas de pequenos volumes. A liquidez do grão novo só ganharia fôlego caso as indicações retornassem para R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB. O mercado já olha para 2ª safra de 2027, com o início pontual de operações de troca balizadas em R$ 48,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho de 2027 e liquidação em 30 de agosto do mesmo ano.