24/Jun/2026
Os contratos futuros de milho encerraram o pregão desta terça-feira (23/06) em baixa na Bolsa de Chicago, refletindo principalmente as condições favoráveis de desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos e a perspectiva de ampla oferta global do cereal. O contrato dezembro fechou a US$ 4,3725 por bushel, com recuo de 0,51%. O mercado segue monitorando a evolução da safra norte-americana, que apresenta indicadores positivos de desenvolvimento. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que 68% das lavouras estavam classificadas entre boas e excelentes condições até o último domingo, percentual estável em relação à semana anterior e próximo ao registrado no mesmo período do ano passado. O quadro climático favorável em importantes regiões produtoras reforça as expectativas de elevada produtividade e amplia a percepção de conforto na oferta para a temporada 2026/27.
Outro fator de pressão veio do mercado de energia. A queda das cotações do petróleo reduz a competitividade econômica do etanol frente aos combustíveis fósseis, diminuindo parte das expectativas de demanda pela matéria-prima utilizada na produção do biocombustível nos Estados Unidos. Como o milho responde pela maior parte do etanol produzido no país, movimentos de baixa no petróleo costumam repercutir negativamente sobre as cotações do cereal. No cenário internacional, o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 no Brasil também contribui para o viés baixista do mercado. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os trabalhos atingiram 11% da área cultivada até o dia 20 de junho, superando o ritmo observado no mesmo período do ano passado. O aumento da disponibilidade de milho brasileiro amplia a oferta exportável e intensifica a concorrência nos mercados internacionais durante o segundo semestre.
Apesar da pressão exercida pelos fatores de oferta, as perdas foram parcialmente limitadas pela continuidade da demanda externa pelo milho norte-americano. O USDA informou a venda de 100 mil toneladas do cereal para o México, sendo 30 mil toneladas destinadas à temporada comercial 2025/26 e 70 mil toneladas para entrega em 2026/27. O negócio reforça a presença dos Estados Unidos como fornecedor relevante no mercado internacional e ajuda a sustentar parte dos preços. O comportamento do mercado nas próximas semanas continuará condicionado principalmente à evolução climática nas áreas produtoras norte-americanas. Embora as condições atuais sejam favoráveis, o período de polinização das lavouras, tradicionalmente concentrado em julho, permanece como a principal variável para a definição do potencial produtivo da safra e da direção futura das cotações na Bolsa de Chicago.