24/Jun/2026
Segundo a AgResource, os futuros de milho na Bolsa de Chicago refletem atualmente um equilíbrio entre oferta e demanda nos Estados Unidos, após recente recuo das cotações, mas o comportamento do clima em julho ainda é considerado determinante para a definição de um piso de preços. O contrato dezembro do milho, negociado entre US$ 4,30 e US$ 4,40 por bushel, é considerado alinhado às projeções de relação estoque/uso divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indicando que o mercado já incorporou parte relevante do cenário de boas condições iniciais das lavouras e do clima favorável observado em junho. O período de junho costuma influenciar a formação de preços, mas não determina a produtividade final, que depende do desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas, quando o milho entra em fases mais sensíveis ao estresse climático. A expectativa é de aumento de temperaturas em julho, fator que exige monitoramento devido ao histórico de áreas cultivadas sob elevada umidade, condição que pode resultar em sistemas radiculares mais rasos.
As condições das lavouras nos Estados Unidos permanecem, em termos gerais, estáveis, embora com deterioração regional em Estados-chave. Illinois registrou queda de 6% na parcela em condição boa ou excelente, para 60%, enquanto Ohio recuou 7%. Parte dessas perdas foi compensada por melhora em Indiana e na região do Meio Sul. Apesar disso, esses indicadores ainda não são suficientes para alterar de forma consistente a trajetória dos preços no curto prazo, com o mercado devendo ganhar maior clareza sobre produtividade apenas a partir de agosto. No cenário global, a pressão adicional vem da oferta da 2ª safra de milho de 2026 no Brasil, cuja colheita avança em ritmo acelerado e deve abastecer o mercado nas próximas oito a dez semanas. Em Mato Grosso, principal Estado produtor, a colheita atinge 21%, com recuo de preços no mercado interno acompanhando o aumento da oferta. Em Sorriso (MT), o milho é negociado a cerca de US$ 3,30 por bushel, equivalente a aproximadamente US$ 130,00 por tonelada.
Esse fluxo reforça a dificuldade de reação das cotações na Bolsa de Chicago, diante da combinação de oferta sul-americana elevada, início de colheita em regiões do sul dos Estados Unidos e condições ainda favoráveis no Meio Oeste norte-americano. Ainda assim, a avaliação é de que o mercado pode encontrar um ponto de sustentação entre o fim de junho e meados de julho, com eventual transição para um movimento mais guiado pela demanda. No cenário de grãos, o trigo aparece como fator de suporte relativo, diante de preocupações climáticas na Europa Ocidental. França e Espanha enfrentam ondas de calor e seca em áreas agrícolas relevantes, com impacto potencial sobre a produção de trigo e milho. A estimativa é de redução entre 2 milhões e 4 milhões de toneladas na produção dos principais exportadores, com possível queda da relação estoque/uso para cerca de 14,5%, o que pode reduzir a folga global de oferta no segundo semestre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.