23/Jun/2026
O mercado físico de milho no Brasil deve seguir em um cenário de forte pressão sazonal, tornando os preços pouco atrativos para produtores nas principais regiões de comercialização do Centro-Sul. A combinação de uma colheita da 2ª safra de 2026 que avança nas principais regiões produtoras e o cenário internacional demonstrando boas condições das safras norte-americana e argentina impede avanços nas cotações no mercado interno. Diante de indústrias domésticas abastecidas e de tradings com indicações mais retraídas nos portos, os produtores começam a recorrer ao armazenamento temporário para evitar a liquidação imediata em patamares considerados baixos e aguardar o fim do pico da safra para avaliar as possibilidades de negociação.
No Paraná, na região de Ponta Grossa, as fábricas de ração estão reduzindo as indicações de forma contínua na tentativa de comprar o cereal, balizando suas intenções de compra entre R$ 59,00 e R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB no mercado de lotes, para retirada em julho e pagamento em agosto. Os vendedores indicam entre R$ 61,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB, o que restringe o ritmo das negociações, uma vez que o volume de milho spot remanescente na região é curto. Nos canais de exportação, tradings indicam entre R$ 64,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, um patamar que resulta em menos de R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB, no interior, e mantém a preferência dos produtores pelas indústrias locais. A tendência de curto prazo segue negativa dada a perspectiva de entrada massiva da 2ª safra de 2026.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, as indústrias de etanol adquirem o milho no disponível, via cooperativa, a R$ 45,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em 5 de julho e pagamento estendido até 1º de outubro. No FOB, lotes para embarque em agosto e liquidação em 30 de agosto são comercializados a R$ 43,00 por saca de 60 Kg, via cooperativa. Os produtores indicam R$ 45,50 por saca de 60 Kg. Em negociações diretas com produtores, o mercado interno indica R$ 40,00 por saca de 60 Kg FOB, para pagamento no fim de agosto, patamar idêntico ao sinalizado pela exportação. As exportadoras evitam abrir programas de junho e julho devido ao alto custo do frete, preferindo acumular posições de agosto em diante. Os produtores também começaram a estocar o cereal em silos bolsa para travar as vendas, cientes de que a meta de comercialização a R$ 48,00 por saca de 60 Kg está distante.