22/Jun/2026
A pressão de compradores no mercado interno e nos portos, diante do início da colheita da 2ª safra de 2026, segue influenciando os valores do milho na maior parte das regiões. Nas regiões produtoras, as médias na parcial deste mês são as menores do ano, em termos nominais. Os consumidores internos seguem atentos ao avanço da colheita da 2ª safra de 2026, além de indicarem ter estoques para o consumo no curto prazo. Esses agentes têm postergado as negociações, devido às recentes quedas dos preços internacionais, o que reduz a paridade de exportação. Do lado vendedor, os que não necessitam “fazer caixa” ou liberar espaço nos armazéns ainda limitam as negociações. Neste caso, agentes aguardam sustentações nos valores, fundamentados na menor produção nesta temporada 2025/26 e nos possíveis impactos do tempo seco na produtividade, principalmente em Goiás e em partes do Mato Grosso do Sul, além das geadas no Paraná.
Na região consumidora de Campinas (SP), base para o Indicador ESALQ/BM&F, a média nesta parcial de junho é a menor deste ano, em termos nominais, a R$ 63,95 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, o Indicador registra recuo de 1,8%, a R$ 62,89 por saca de 60 Kg. As quedas têm sido mais intensas em regiões produtoras de 2ª safra, especialmente nas do Centro-Oeste. Nos últimos sete dias, o milho registra desvalorização de expressivos 3,4% em Rondonópolis (MT), a R$ 48,00 por saca de 60 Kg. Na parcial deste mês, a média dos preços nas regiões produtoras de Dourados (MS), Rio Verde (GO), Oeste do Paraná e Sorriso (MT) também são as menores de 2026, com retrações de 3%, 6%, 2% e 6% frente à média de maio, respectivamente. Nos últimos sete dias, os preços apresentam recuo de 1,8% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor) e de 1,6% no mercado de lotes (negociação entre empresas).
Nas regiões onde a produção maior é na safra de verão (1ª safra), como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os preços seguem firmes e até registram médias semelhantes ou acima das do começo do ano. Com a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) na reta final, os produtores dessas regiões limitam os volumes de mercadoria para negócios, à espera de valorizações. Os preços registram alta de 0,7% nos últimos sete dias na região de Passo Fundo (RS), a R$ 65,12 por saca de 60 Kg. No mercado futuro, o primeiro vencimento é pressionado pelo avanço da colheita da 2ª safra de 2026. Na B3, o contrato Julho/26 registra recuo de 0,4% nos últimos sete dias, a R$ 63,98 por saca de 60 Kg. A colheita também teve início em Mato Grosso do Sul na semana anterior, segue no estado de Mato Grosso e de maneira pontual no Paraná. Com isso, a média nacional colhida totalizou 6,7% da área até o dia 12 de junho, avanço semanal de 3,7%, mas ainda abaixo dos 7,3% colhidos na média das últimas cinco safras.
Em Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), 11,29% da área havia sido colhida até o dia 12 de junho, avanço de 5,44% em relação à semana anterior e ainda 4,09% acima da safra passada. No Paraná, as recentes chuvas têm reduzido o ritmo dos trabalhos de campo, fazendo com apenas 1% da área tivesse sido colhida até o dia 15 de junho, inferior aos 8% verificados no mesmo período de 2025. Até o momento, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, mas ainda há preocupação com a produtividade, devido aos impactos das secas e geadas registradas em maio, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). Em Mato Grosso do Sul, segundo a (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), apenas 0,1% da área havia sido colhida até a semana passada, atraso de 25 em relação à temporada 2024/25, reflexo do elevado volume de chuvas.
Quanto à safra de verão (1ª safra 2025/2026), a colheita somava 90,4% da área nacional até o dia 12 de junho, semelhante aos 90,1% da média dos últimos cinco anos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Nos últimos dias, as previsões de ocorrência do El Niño foram confirmadas pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o que pode trazer preocupações para produtores no Brasil no segundo semestre. Até o momento, o boletim aponta 82% de chance de este fenômeno ocorrer entre maio e julho e 96% de chances de continuidade entre dezembro/26 e fevereiro/27. Caso essas previsões se confirmem, a Região Sul do Brasil pode ter aumento das chuvas, enquanto a Região Centro-Oeste deve registrar irregularidade das precipitações e aumento do calor, em um período que é fundamental para a safra de verão (1ª safra 2026/2027). Especificamente para o milho, a semeadura pode ser prejudicada na Região Sul do País.
Na Região Centro-Oeste, caso ocorra atraso na safra de verão (1ª safra 2026/2027), a semeadura da 2ª safra de 2027 pode ocorrer fora do período considerado ideal. No mercado internacional. os preços externos do cereal são impulsionados pela valorização do trigo. Por outro lado, o bom desenvolvimento das lavouras no Estados Unidos, diante das condições climáticas favoráveis, limita o movimento de alta. Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Jul/26 e Set/26 apresentam avanço de 1,4% e 1,2%, a US$ 4,17 por bushel e a US$ 4,25 por bushel, respectivamente. No campo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que, até o dia 14 de junho, a semeadura havia sido concluída e que 68% das lavouras norte-americanas estavam em boas e excelentes condições, abaixo dos 72% do mesmo período do ano passado. Na Argentina, o relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicou que a colheita chegou a 48,2% da área nacional até o dia 18 de junho, avanço semanal de 4,6%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.