22/Jun/2026
A FS encerrou o ano-safra 2025/26 com resultados operacionais recordes, mas a aceleração de seu plano de expansão em Mato Grosso levou o BTG Pactual a adotar uma avaliação mais cautelosa sobre o perfil de crédito da companhia. Segundo o banco, a construção simultânea de duas novas usinas de etanol de milho deverá elevar a alavancagem financeira e postergar o processo de redução do endividamento esperado pelo mercado. O principal fator de atenção é a decisão de iniciar imediatamente a construção da unidade de Querência (MT), menos de um ano após o início das obras da planta de Campo Novo do Parecis (MT). Na avaliação do BTG, a estratégia transforma um cronograma de expansão sequencial em um processo simultâneo, ampliando significativamente os investimentos previstos para os próximos exercícios.
A nova usina de Querência demandará aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos e deverá acrescentar capacidade anual de produção de 580 milhões de litros de etanol, com início das operações previsto para julho de 2027. Com isso, a projeção de investimentos da companhia para o ano-safra 2026/27 praticamente dobrou, passando de R$ 1,7 bilhão para cerca de R$ 3 bilhões. Apesar do aumento dos investimentos, o banco considera que a decisão possui lógica estratégica, ao garantir presença da empresa em regiões consideradas prioritárias de Mato Grosso em um cenário de avanço de concorrentes. No entanto, a expansão simultânea aumenta a pressão sobre a estrutura de capital no curto prazo. O movimento ocorre após um exercício de forte desempenho operacional.
A FS registrou Ebitda de R$ 3,5 bilhões no ano-safra 2025/26, crescimento de 31% em relação ao período anterior. O lucro líquido avançou 71%, alcançando R$ 1,6 bilhão. A alavancagem líquida encerrou o período em 2,5 vezes o Ebitda, abaixo do limite interno de 3 vezes estabelecido pela companhia. Segundo a análise, o desempenho foi sustentado por preços favoráveis do etanol, disciplina na aquisição de milho e elevada eficiência operacional, fatores que contribuíram para elevar a margem Ebitda para R$ 1,42 por litro produzido. A forte geração de caixa permitiu à companhia investir R$ 2,1 bilhões em projetos de expansão e distribuir mais de R$ 1,3 bilhão em dividendos ao longo do exercício, preservando uma posição financeira considerada sólida.
Ao final de março, a empresa possuía R$ 4,4 bilhões em caixa e acesso a novas linhas de financiamento de longo prazo, com liquidez estimada entre R$ 6,5 bilhões e R$ 7 bilhões. Ainda assim, o BTG projeta aumento da alavancagem líquida para aproximadamente 4 vezes o Ebitda no ano-safra 2026/27, acima da estimativa anterior de 3,2 vezes. A expectativa reflete a combinação entre maior volume de investimentos e perspectivas menos favoráveis para os fundamentos do mercado de etanol no período. Embora tenha revisado sua recomendação para os títulos da companhia de compra para manutenção, o banco destaca que a qualidade de crédito de longo prazo permanece sustentada pela posição competitiva da FS como produtora de baixo custo, pelo histórico consistente de execução de projetos e pelo acesso contínuo a fontes de financiamento. Fonte: Broadcast Agro.