ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

19/Jun/2026

Preços do milho pressionados no mercado interno

O mercado brasileiro de milho deve seguir pressionado nas próximas semanas com o avanço da colheita da 2ª safra de 2026, mesmo após cortes em estimativas de produção em alguns Estados. Ainda há espaço para alguma acomodação adicional dos preços até o início de julho, sobretudo pela entrada de volumes de Mato Grosso, onde a produção deve ser recorde. Uma possível alta do dólar poderia funcionar como contrapeso, mas, sem esse apoio, a tendência ainda é de pressão sobre os preços.

A menor comercialização antecipada pelo produtor em relação aos últimos anos também contribui para ampliar a pressão no período de entrada da 2ª safra de 2026. A exportação é outro fator de atenção. O Brasil enfrenta forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina, que colhe safra recorde e já vem exportando volumes elevados. Com o câmbio atual, o milho brasileiro perdeu competitividade. Além da concorrência externa, a demanda do Irã segue como ponto de incerteza.

Mesmo com eventual acordo de paz, ainda não está claro como ficará a capacidade de compra e pagamento do país. Esse conjunto de fatores mantém o mercado em um ambiente pouco favorável a uma reação consistente no curto prazo. No mercado interno, a comercialização da 2ª safra de milho de 2026 segue concentrada nos canais de abastecimento doméstico. Enquanto as tradings evitam abrir programas de exportação no curto prazo, indústrias de ração e usinas de etanol assumem o protagonismo das compras.

No Paraná, na região de Maringá, o descolamento entre o mercado interno e o de exportação é classificado como "anormal" para o período. A exportação está em ritmo lento para junho. Fábricas de ração de Botucatu (SP) indicam R$ 62,50 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho e pagamento no final de agosto. Tradings indicam R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para pagamento a partir de setembro, inviabilizando o fluxo para o exterior.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, a colheita dos primeiros talhões revela um desempenho positivo no campo. Em termos de preços, o mercado físico opera pressionado. As fábricas de ração e usinas de etanol indicam R$ 41,00 por saca de 60 Kg FOB, para pagamento em julho e R$ 42,00 por saca de 60 Kg FOB, para liquidação no fim de agosto em negociação direta com o produtor. Com intermédio de cooperativas, os valores sobem para R$ 44,00 por saca de 60 Kg FOB, para julho e agosto. No eixo da exportação, via cooperativa, tradings indicam entre R$ 46,00 e R$ 46,50 por saca de 60 Kg FOB, mas o produtor indica R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB para destravar volumes de grande porte.