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19/Jun/2026

MT: custos elevados reduzem rentabilidade do milho

A produção de milho em Mato Grosso apresentou forte expansão nos últimos cinco anos, impulsionada pelo aumento da área cultivada e pelos ganhos de produtividade. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o volume produzido passou de 32,56 milhões de toneladas na safra 2020/21 para uma estimativa de 53,35 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 63,9% no período. A área destinada ao cereal avançou de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares, enquanto a produtividade média evoluiu de 100 para 120 sacas de 60 Kg por hectare. Apesar do desempenho produtivo, a rentabilidade da atividade vem sendo pressionada pela queda dos preços e pela elevação dos custos de produção. Após atingir média anual de R$ 71,14 por saca de 60 Kg em 2021, as cotações do milho perderam força nos anos seguintes. A média anual recuou para R$ 43,34 por saca de 60 Kg em 2023 e para R$ 41,33 por saca de 60 Kg em 2024. Em 2026, considerando os preços registrados entre janeiro e junho, a média está em R$ 45,31 por saca de 60 Kg.

Segundo a Aprosoja-MT, o avanço da oferta nacional e a intensificação da colheita do milho 2ª safra de 2026 ampliam a pressão sobre os preços. Além disso, limitações na capacidade de armazenagem e gargalos logísticos reduzem o poder de negociação dos produtores e elevam os custos operacionais. Por outro lado, a indústria de biocombustíveis segue como importante fator de sustentação da demanda no Estado. A expectativa é de que cerca de 16 milhões de toneladas de milho sejam destinadas à produção de etanol em 2026, volume equivalente a mais de 30% da produção mato-grossense. Os custos de produção continuam em trajetória de alta. O Custo Operacional Efetivo (COE) da cultura aumentou 42% entre as safras 2021/22 e 2025/26, passando de R$ 3.381,94 para R$ 4.806,17 por hectare. No mesmo período, o Custo Total (CT) avançou 53%, de R$ 4.395,84 para R$ 6.725,91 por hectare.

Fertilizantes e corretivos permanecem como o principal componente dos gastos, respondendo por 29,58% do COE na safra 2025/26. Como consequência, a rentabilidade da atividade apresentou forte redução. O Lajida (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) médio caiu de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para R$ 683,18 por hectare na safra 2025/26. Para a safra 2026/27, a projeção é de apenas R$ 70,96 por hectare. Os preços atualmente praticados, entre R$ 38,00 e R$ 44,00 por saca de 60 Kg, permanecem abaixo do patamar considerado necessário para garantir a sustentabilidade econômica da cultura, estimado entre R$ 50,00 e R$ 55,00 por saca de 60 Kg. Nesse cenário, a redução da capacidade financeira dos produtores pode limitar investimentos em tecnologia, manejo e fertilização nas próximas temporadas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.