ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

19/Jun/2026

EUA: área de milho depende de biocombustíveis

A área cultivada com milho nos Estados Unidos poderá encolher 31% até 2050, o equivalente a 12,1 milhões de hectares, caso o país não amplie o uso de etanol e mantenha a mistura do biocombustível na gasolina próxima ao nível atual de 10%, segundo estudo da S&P Global Energy. A avaliação indica que a agricultura norte-americana enfrenta um desafio estrutural decorrente do crescimento contínuo da produtividade, sem expansão proporcional dos mercados tradicionais de alimentos e ração. Atualmente, cerca de 36% da área plantada com milho nos Estados Unidos está vinculada à produção de etanol. Entretanto, a perspectiva de redução do consumo de gasolina, impulsionada pelo aumento da eficiência dos veículos e pela expansão da frota elétrica, tende a limitar a demanda pelo biocombustível. Nesse cenário, a demanda doméstica de etanol para o setor automotivo poderá cair quase pela metade até 2050, reduzindo a necessidade de matéria-prima e pressionando a área destinada ao cereal. O estudo destaca que os sinais desse desequilíbrio já estão presentes na economia rural norte-americana.

Dados do censo agropecuário mostram redução de 209 mil propriedades rurais e perda de 23,5 milhões de hectares entre 2002 e 2022. A avaliação é que, sem novos canais de consumo, os ganhos de produtividade continuarão superando o crescimento da demanda, comprometendo a sustentabilidade econômica da atividade agrícola. A S&P compara os riscos atuais ao cenário observado nos anos 1980 nos Estados Unidos, quando o excesso de produção, combinado com preços baixos e elevado endividamento, provocou forte deterioração financeira no setor rural. Segundo o estudo, o desenvolvimento da indústria de biocombustíveis foi fundamental para ampliar a demanda agrícola nas últimas décadas e evitar a repetição daquele cenário. Do lado do consumo, as perspectivas também indicam desaceleração. O crescimento populacional global apresenta perda de ritmo, enquanto o aumento do consumo per capita de carne se reduz significativamente. Após avançar cerca de 2,4% ao ano desde o final da década de 1990, o consumo global de proteína animal cresceu apenas 0,7% em 2025 e deverá avançar apenas 0,1% ao ano até 2050.

Além disso, a maior participação da carne de frango na dieta mundial reduz a intensidade do uso de grãos para alimentação animal em comparação à produção de carne bovina e suína. Para evitar uma retração expressiva da área agrícola, o relatório defende a ampliação da participação dos biocombustíveis na matriz energética, por meio da expansão de misturas superiores de etanol, como o E15, além do crescimento do biodiesel, diesel renovável, combustível sustentável de aviação e combustíveis marítimos de origem renovável. Atualmente, os biocombustíveis representam cerca de 3,2% da demanda global por combustíveis líquidos, com participação média de aproximadamente 7,5% na gasolina e de quase 6% no diesel, indicando espaço relevante para expansão. No cenário alternativo, a adoção de novas políticas públicas, avanços tecnológicos e ampliação dos mercados de biocombustíveis permitiria manter praticamente estável a área de milho até 2050, com redução de apenas 1%. Nesse ambiente, a produção norte-americana poderia crescer quase 50% sem necessidade de expansão significativa da área cultivada, sustentada pelos ganhos de produtividade.

A eficiência industrial também apresenta perspectiva de avanço. A produção de etanol de milho evoluiu de cerca de 350 galões por acre no início dos anos 2000 para aproximadamente 550 galões por acre em 2025. No cenário otimizado projetado pela consultoria, esse indicador poderá se aproximar de 900 galões por acre até 2050. O estudo destaca ainda que a produção de biocombustíveis gera coprodutos destinados à alimentação animal, como os grãos secos de destilaria, reduzindo a percepção de competição direta entre produção de alimentos e energia. No caso da soja, a crescente demanda por biodiesel e diesel renovável tem ampliado a importância econômica do óleo vegetal dentro da cadeia produtiva. O relatório foi elaborado para a U.S. Farmers & Ranchers in Action, organização que representa produtores rurais norte-americanos, com base em modelagens econômicas, bancos de dados próprios e entrevistas realizadas com produtores, processadores, empresas de biocombustíveis e especialistas do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.