16/Jun/2026
Segundo a Hedgepoint Global Markets, a ocorrência do fenômeno El Niño tende a provocar uma distribuição desigual de riscos para a produção de grãos na América do Sul, com possíveis impactos positivos em algumas regiões e maior vulnerabilidade em áreas-chave do Brasil, especialmente no Centro-Oeste. O cenário climático tende a favorecer o regime de chuvas na metade sul da América do Sul, com efeitos positivos para a produtividade da soja e do milho no Sul do Brasil, além de Argentina, Paraguai e Uruguai. Em anos de boa regularidade de precipitações nessas regiões, há registros de ganhos de produtividade, como observado em safras anteriores.
Por outro lado, a metade norte do continente tende a enfrentar condições mais secas durante eventos de El Niño, com destaque para o Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste do Brasil. Essa região concentra importantes áreas produtoras de soja e milho, incluindo Mato Grosso, Goiás e Bahia, com impacto direto sobre o balanço nacional de oferta. O risco central identificado não está apenas na produtividade final das lavouras, mas principalmente no calendário de plantio. A redução da umidade no início do ciclo pode atrasar a semeadura da soja no Centro-Norte do Brasil, afetando a janela ideal de cultivo e aumentando a irregularidade do desenvolvimento das lavouras. Esse atraso na soja tende a gerar efeito em cadeia sobre o milho de 2ª safra, que depende do plantio da oleaginosa para liberar a área.
Caso a semeadura seja postergada, o cereal pode ser cultivado fora da janela ideal, aumentando a exposição a períodos de menor umidade e elevando o risco produtivo na 2ª safra. A Região Sul do Brasil e a Argentina podem compensar parte das perdas potenciais observadas no Centro-Oeste, mas a relevância do Centro-Norte na produção total limita uma leitura simplificada de impacto positivo do fenômeno para a América do Sul como um todo. No caso da soja, o histórico recente reforça a preocupação com o comportamento climático na região. Episódios anteriores de irregularidade de chuvas, como na safra 2023/24, resultaram em perdas relevantes em estados como Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa.
No milho, o impacto é ainda mais sensível, uma vez que a safrinha depende diretamente da janela de plantio da soja. Eventuais atrasos podem deslocar a semeadura do cereal para o primeiro trimestre de 2027, elevando o risco de exposição a períodos menos favoráveis de umidade durante o desenvolvimento da cultura. O mercado deve acompanhar menos a classificação geral do fenômeno climático e mais a evolução efetiva do plantio no Centro-Norte do Brasil. O ritmo inicial da soja será determinante para definir o grau de risco da 2ª safra de milho de 2027. No trigo, o impacto do El Niño tende a ser mais concentrado entre os principais exportadores globais.
A Austrália aparece como a região mais vulnerável, devido à tendência de redução das chuvas e aumento das temperaturas em fases críticas do desenvolvimento da cultura, especialmente no oeste e sudeste do País. Esse padrão climático pode reduzir a produtividade, afetar a qualidade do grão e diminuir a disponibilidade exportável australiana, com reflexos diretos sobre o abastecimento do mercado asiático e sustentação dos preços internacionais. Em contrapartida, Estados Unidos e Argentina podem registrar condições mais favoráveis para o desenvolvimento do trigo em determinados cenários de El Niño, o que contribui para um equilíbrio parcial do balanço global, embora eventos mais intensos tendam a manter suporte às cotações internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.