12/Jun/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir em compasso de espera. Os agentes acompanham o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 e buscam sinais mais claros sobre o tamanho efetivo da produção. A entrada de novos volumes no mercado continua pressionando as cotações. A definição mais precisa da safra deve ocorrer ao longo da segunda metade de junho, quando a colheita ganhar velocidade nas principais regiões produtoras. Os resultados iniciais refletem principalmente áreas semeadas dentro da janela ideal e, por isso, ainda não capturam integralmente os efeitos da seca observada em alguns Estados. Os números de produção vêm sendo gradualmente revisados para baixo à medida que surgem relatos de perdas em regiões afetadas pela falta de chuva. Em Goiás, parte das áreas deve ser destinada à silagem, reduzindo a disponibilidade de grãos, enquanto produtores também relatam problemas em Mato Grosso do Sul.
Ainda assim, a safra será suficiente para manter o abastecimento, mas menor do que o potencial inicialmente estimado. No curto prazo, a pressão da colheita continua predominando. Porém, a retomada gradual das exportações no segundo semestre e a recente recuperação do dólar podem melhorar a competitividade do milho brasileiro nos próximos meses. Caso as perdas regionais sejam confirmadas e o fluxo exportador ganhe força, o mercado poderá passar por um redesenho do quadro de oferta e demanda, abrindo espaço para uma recuperação dos preços após o período de maior entrada da 2ª safra de 2026. O mercado interno segue sem direção definida, com pontual oscilação nos preços e com as atenções voltadas para o início dos trabalhos de campo. A proximidade da entrada da 2ª safra de 2026 e o cenário de estoques confortáveis nas duas pontas mantêm o mercado acomodado.
No Paraná, a comercialização caminha em ritmo lento e com preços estabilizados. Na região de Cascavel, o cereal disponível e da 2ª safra de 2026 são negociados entre R$ 58,00 e R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF, a depender do prazo de entrega e pagamento. Embora o ritmo da colheita diminua nos próximos dias devido à previsão de chuvas, o mercado projeta um piso firme de preços para a exportação na casa dos R$ 55,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega a partir de julho. As indústrias são obrigadas a pagar prêmios para reter o produto na região, movimento liderado pelo setor de proteína animal do oeste de Santa Catarina, que segue remunerando acima da média geral. Em Mato Grosso, também se observa falta de competitividade dos portos, na região de Sinop, os compradores indicam R$ 47,00 por saca de 60 Kg FOB ou CIF, para entrega ou embarque em setembro e pagamento em outubro. Tradings indicam R$ 38,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em julho e liquidação em 30 de agosto.