12/Jun/2026
Os contratos futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago encerraram o pregão desta quinta-feira (11/06) em queda superior a 1%, pressionados pela divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), cujos números vieram acima das expectativas do mercado para produção e estoques. O contrato dezembro recuou 7,25 cents, ou 1,62%, e fechou a US$ 4,39 por bushel. O movimento refletiu a percepção de maior disponibilidade do cereal tanto nos Estados Unidos quanto no mercado global. O USDA manteve a projeção da safra norte-americana de milho em 2026/27 em 406,29 milhões de toneladas. O volume ficou acima da expectativa dos analistas, que projetavam 406,17 milhões de toneladas.
Os estoques finais dos Estados Unidos para a temporada 2026/27 foram estimados em 49,78 milhões de toneladas, acima da projeção de maio, de 49,71 milhões de toneladas. No cenário global, o USDA elevou a estimativa dos estoques mundiais de milho de 277,54 milhões para 281,22 milhões de toneladas. O ajuste reforçou a percepção de ampla oferta internacional. Na América do Sul, o relatório trouxe revisões positivas para os dois principais exportadores da região. A estimativa para a produção brasileira de milho em 2025/26 foi elevada de 135 milhões para 138 milhões de toneladas. Para a Argentina, a projeção foi revisada de 59 milhões para 61 milhões de toneladas. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também revisou para cima sua estimativa para a produção total de milho em 2025/26, passando de 140,17 milhões para 140,46 milhões de toneladas. O ajuste reforça a perspectiva de uma safra recorde e de elevada disponibilidade do cereal no mercado interno e externo.
Apesar da pressão exercida pelo aumento das estimativas de oferta, a demanda pelo milho norte-americano continua apresentando desempenho consistente. Dados semanais de exportação divulgados pelo USDA mostraram vendas de 1 milhão de toneladas da safra 2025/26 na semana encerrada em 4 de junho, volume 13% superior ao da semana anterior, embora 15% inferior à média das quatro semanas precedentes. Para a safra 2026/27, foram registradas vendas adicionais de 926,9 mil toneladas. Somadas, as vendas alcançaram 1,93 milhão de toneladas, superando o teto das estimativas do mercado. O forte ritmo das exportações limitou perdas mais expressivas, mas o mercado permaneceu concentrado nas perspectivas de ampla oferta global. A evolução da safra norte-americana durante o período de desenvolvimento das lavouras, o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 brasileira e o comportamento da demanda internacional continuarão sendo os principais fatores para a formação dos preços nos próximos meses.