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11/Jun/2026

Estudo aponta menor impacto ambiental da 2ª safra

De acordo com estudo publicado na revista científica npj Sustainable Agriculture e desenvolvido por pesquisadores da Agroicone, da Embrapa Meio Ambiente e de outras instituições, a expansão do milho 2ª safra no Brasil ocorreu predominantemente sobre áreas agrícolas já consolidadas nos últimos anos, reduzindo a pressão direta sobre a vegetação nativa e fortalecendo os indicadores ambientais associados à produção de etanol de milho. O trabalho realizou o primeiro mapeamento nacional das áreas de milho 2ª safra por meio de imagens de satélite. Em 2023, a cultura ocupou 17,1 milhões de hectares no País. Desse total, 99,3% foram cultivados em sucessão à soja, sistema em que o milho é implantado na mesma área logo após a colheita da oleaginosa dentro do mesmo ciclo agrícola. Entre 2003 e 2023, a área destinada ao milho 2ª safra avançou 14,4 milhões de hectares. Apesar da expansão expressiva, a participação de áreas provenientes diretamente da conversão de vegetação nativa recuou de 13% no período completo para 3,6% entre 2013 e 2023.

Segundo os pesquisadores, os dados indicam que a expansão mais recente ocorreu majoritariamente sobre áreas agropecuárias já estabelecidas. Como consequência, as emissões líquidas anuais associadas à mudança direta do uso da terra apresentaram redução de 73% no período de 2013 a 2023 em comparação com a média observada entre 2003 e 2023. O estudo ressalta que a manutenção dessa tendência depende da continuidade das políticas de combate ao desmatamento e do estímulo à intensificação produtiva em áreas já abertas. As emissões relacionadas à mudança direta do uso da terra, conhecidas internacionalmente pela sigla dLUC (direct Land Use Change), foram estimadas entre 0,6 e 0,9 tonelada de CO₂ por hectare ao ano para o milho 2ª safra. Os valores são inferiores aos registrados em metodologias nacionais e internacionais que calculam as emissões do milho brasileiro sem diferenciar os sistemas de 1ª safra e 2ª safra. Além da menor necessidade de expansão territorial, o estudo identificou ganhos decorrentes da adoção de práticas sustentáveis de manejo.

O aumento do armazenamento de carbono no solo compensou aproximadamente 20% das emissões geradas pela mudança direta do uso da terra, contribuindo para melhorar o balanço ambiental da atividade. Os resultados têm impacto direto sobre a avaliação da pegada de carbono do etanol de milho, especialmente em mercados que exigem combustíveis de baixa intensidade de emissões para setores como transporte marítimo e aviação. Considerando conjuntamente os efeitos da mudança direta do uso da terra e do manejo do solo, as emissões líquidas atribuídas ao etanol produzido a partir do milho 2ª safra variaram entre 2,3 e 5,3 gramas de CO₂ por megajoule no horizonte de 20 anos analisado. No período mais recente, de 2013 a 2023, os valores ficaram entre 0,3 e 1,5 grama de CO₂ por megajoule. Como comparação, metodologias que não distinguem os diferentes sistemas de cultivo estimam emissões de até 30 gramas de CO₂ por megajoule para o etanol de milho brasileiro. Os resultados reforçam a necessidade de tratar o milho 2ª safra de forma específica nos modelos de cálculo de emissões, permitindo retratar com maior precisão os impactos ambientais do sistema produtivo brasileiro.

O estudo recebeu financiamento da FS Fueling Sustainability para o desenvolvimento do mapeamento das áreas de milho 2ª safra e para a participação de instituições envolvidas na pesquisa. Os autores informaram que a empresa não teve acesso prévio aos resultados sobre pegada de carbono nem ao conteúdo do artigo antes da publicação. O trabalho também destaca a adoção de mecanismos para mitigar potenciais conflitos de interesse, incluindo o uso de bases públicas de dados, avaliação independente dos resultados e revisão científica por pares. A atualização dos indicadores de mudança de uso da terra poderá reduzir a intensidade de carbono atualmente atribuída ao etanol de milho 2ª safra e ampliar a competitividade do biocombustível brasileiro em mercados internacionais com exigências crescentes de sustentabilidade e descarbonização. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.