ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

11/Jun/2026

Grãos: risco de super El Niño sustenta mercado

A possibilidade de formação de um super El Niño passou a ganhar relevância nas análises do mercado internacional de grãos e pode reduzir o interesse de fundos de investimento em ampliar posições vendidas na Bolsa de Chicago. A avaliação da AgResource é de que o cenário climático adiciona um fator de risco à perspectiva de ampla oferta global e tende a aumentar a cautela dos agentes financeiros. Os registros dos últimos episódios classificados como super El Niño mostram que eventos climáticos relevantes afetaram a produção agrícola mundial durante a ocorrência do fenômeno ou no período imediatamente posterior.

Entre os exemplos citados está o ano de 1983, quando condições de calor intenso e déficit hídrico nos Estados Unidos contribuíram para forte valorização dos mercados agrícolas. Além dos fatores climáticos, a análise considera que as tensões geopolíticas globais e a valorização do petróleo reforçam a percepção de risco. O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, os potenciais impactos sobre o Estreito de Ormuz e possíveis reflexos sobre os custos de fertilizantes também são apontados como elementos de suporte ao mercado. Os modelos climáticos indicam aquecimento acelerado do Pacífico equatorial, com projeções de anomalias próximas de 4°C acima da média até outubro.

Caso confirmado, o fenômeno representaria um comportamento sem precedentes nos registros meteorológicos modernos, dificultando comparações com eventos anteriores e ampliando a incerteza sobre seus efeitos na produção agrícola global. Tradicionalmente, episódios de El Niño costumam favorecer as condições produtivas em regiões como Estados Unidos, Argentina e Sul do Brasil. Entretanto, a intensidade e a velocidade do aquecimento projetado levantam dúvidas sobre a repetição dos padrões históricos. Eventos anteriores associados ao El Niño também coincidiram com perdas relevantes em culturas como o milho da 2ª safra brasileira.

No curto prazo, o mercado continua observando uma safra norte-americana em condições consideradas favoráveis. O avanço do desenvolvimento das lavouras de milho em estados como Arkansas e Tennessee ocorre em ritmo adiantado, beneficiado por clima ameno e boa disponibilidade de umidade, fatores que reduzem parte dos riscos imediatos para a oferta. Mesmo assim, os mercados agrícolas atravessam um período de transição. A expectativa é de formação de um piso relevante para os preços durante o verão norte-americano ou ao final desse período, sem necessariamente romper as mínimas observadas no ano anterior, criando condições para um cenário mais favorável às cotações posteriormente.

Os fundamentos de demanda também contribuem para sustentar os preços. Nos Estados Unidos, as usinas de etanol operam com margens positivas estimadas entre US$ 0,35 e US$ 0,40 por galão acima dos custos. No complexo soja, as margens de esmagamento no centro de Illinois permanecem próximas de US$ 5,15 por bushel, incentivando a manutenção da demanda pela matéria-prima. Essas condições devem estimular consumidores finais a ampliar compras em momentos de recuo das cotações e reforçar estratégias de cobertura para os próximos meses. Para a soja, a disputa pela oferta entre o setor de biocombustíveis e os importadores chineses poderá se tornar um dos principais fatores de influência sobre os preços no segundo semestre de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.