ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

10/Jun/2026

Etanol de Milho: consumo absorverá maior oferta

De acordo com a 3tentos, o crescimento do consumo de etanol hidratado no Brasil deverá absorver parte relevante da expansão da oferta gerada pelos novos investimentos em etanol de milho, contribuindo para o equilíbrio do mercado ao longo dos próximos anos. Há fundamentos estruturais favoráveis para a continuidade do avanço do setor. Apesar do cenário atual de ampla disponibilidade do biocombustível, existe espaço significativo para ampliação do consumo doméstico. A elevada participação dos veículos flex na frota brasileira representa um dos principais vetores de crescimento da demanda. Atualmente, cerca de 80% da frota nacional é composta por veículos flex, totalizando mais de 50 milhões de unidades aptas a consumir etanol hidratado.

Em diversas regiões do País, o etanol vem sendo comercializado a aproximadamente 50% do preço da gasolina, patamar significativamente mais competitivo do que a tradicional relação de paridade próxima de 70%. Esse diferencial de preços tende a estimular o consumo e ampliar a participação do biocombustível na matriz de combustíveis leves. Além do mercado já consolidado, o executivo observa potencial de expansão em regiões onde historicamente o consumo de etanol apresentou menor participação, contribuindo para ampliar a capacidade de absorção da produção adicional oriunda das novas usinas.

A análise também considera o atual cenário de pressão sobre as margens da indústria, influenciado pela dinâmica entre os mercados de açúcar e etanol. A recente redução das cotações internacionais do açúcar estimulou maior direcionamento da matéria-prima para a produção de biocombustíveis, ampliando a oferta disponível no mercado. Esse comportamento faz parte de ciclos naturais do setor sucroenergético e tende a ser corrigido pelo próprio mercado ao longo do tempo. Entre os fatores que podem contribuir para o reequilíbrio está a expansão da produção de etanol na Índia, movimento que pode reduzir a disponibilidade global de açúcar e influenciar os preços internacionais do açúcar.

A competitividade do agronegócio brasileiro permanece como um dos principais diferenciais para a expansão do etanol de milho. A capacidade de produzir duas safras na mesma área agrícola permite maior aproveitamento dos recursos produtivos, aumento da oferta de matéria-prima e ganhos de eficiência econômica. Nesse contexto, a evolução da 2ª safra de milho e os avanços em produtividade agrícola fortalecem a disponibilidade de insumos para a indústria de biocombustíveis. Destaque para o crescimento do cultivo de sorgo, que vem ganhando espaço como alternativa produtiva e apresenta potencial para utilização na fabricação de etanol.

A combinação entre ampla oferta de milho e sorgo, ganhos tecnológicos no campo e expansão do mercado consumidor cria condições favoráveis para a continuidade dos investimentos no setor. Segundo a avaliação apresentada, a disponibilidade abundante de matéria-prima e a competitividade da produção agrícola brasileira sustentam custos adequados e favorecem a expansão da indústria. Mesmo diante de períodos de ajustes de mercado e oscilações de rentabilidade, a perspectiva permanece positiva para o segmento. A avaliação é de que o ritmo de crescimento poderá variar ao longo dos ciclos, mas sem comprometer a trajetória estrutural de expansão da indústria brasileira de etanol de milho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.