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10/Jun/2026

Etanol de milho deverá manter o ciclo de expansão

Segundo a FS, a indústria brasileira de etanol de milho continua apresentando perspectivas favoráveis de crescimento no longo prazo, apesar das preocupações atuais com uma possível sobreoferta no mercado doméstico. A avaliação é de que o avanço da capacidade produtiva será sustentado pela expansão da demanda interna e pela abertura de novos mercados internacionais para o biocombustível. O atual cenário de maior disponibilidade de produto representa uma condição temporária e não altera os fundamentos estruturais do setor. A percepção de excesso de oferta observada no mercado brasileiro reflete um desequilíbrio de curto prazo entre a produção e a demanda existente, enquanto os vetores de consumo continuam apontando para crescimento nos próximos anos. No mercado interno, um dos principais impulsionadores deverá ser a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina prevista pela Lei do Combustível do Futuro.

A legislação permite elevar a participação do biocombustível dos atuais 30% para até 35%, ampliando o potencial de consumo em todo o País. Outro fator relevante é a expansão do uso do etanol hidratado em diferentes regiões brasileiras, acompanhando o crescimento da frota flex e a busca por alternativas de menor intensidade de carbono. Além do mercado tradicional de combustíveis leves, o setor identifica oportunidades crescentes no transporte pesado. O etanol poderá ampliar sua participação como alternativa complementar ao diesel em caminhões, máquinas agrícolas e equipamentos de transporte de carga, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O potencial desse mercado é expressivo, considerando que o Brasil importa mais de 20 bilhões de litros de diesel por ano.

O desenvolvimento de tecnologias voltadas à utilização de etanol em motores originalmente movidos a diesel poderá criar uma nova frente de demanda para a indústria nacional. No cenário internacional, o setor acompanha oportunidades relacionadas à descarbonização do transporte marítimo e da aviação. O mercado global de navegação consome aproximadamente 400 bilhões de litros de combustíveis por ano, e o etanol aparece entre as alternativas consideradas para reduzir as emissões do segmento. Outro vetor de crescimento está associado ao combustível sustentável de aviação (SAF). A expectativa é que novos projetos industriais utilizem etanol como matéria-prima para produção de SAF ao longo desta década, ampliando significativamente o mercado potencial para o biocombustível. O aumento dos mandatos de mistura de etanol na gasolina em diversos países também contribui para fortalecer as perspectivas de demanda.

Japão, Índia, Vietnã, Indonésia, Argentina, Paraguai e países da Europa discutem ou implementam elevações graduais da participação do etanol em suas matrizes energéticas. Apesar das perspectivas positivas, a expansão do setor dependerá cada vez mais de ganhos de eficiência operacional. A competitividade das usinas está diretamente relacionada à escala de produção, acesso à logística, capacidade de originação de milho e eficiência na comercialização dos coprodutos, especialmente DDGS e óleo de milho. Nesse contexto, a sustentabilidade das margens tende a favorecer empreendimentos com maior integração logística e eficiência operacional, fatores considerados fundamentais para sustentar novos ciclos de investimento e expansão da capacidade produtiva do etanol de milho no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.