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09/Jun/2026

EUA: cotações pressionadas na Bolsa de Chicago

Standard Grain, o mercado de milho permanece pressionado na Bolsa de Chicago. O contrato dezembro rompeu as mínimas registradas em janeiro e passou a operar nos menores níveis desde agosto de 2025. O movimento é atribuído à combinação de condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas, liquidação de posições por fundos de investimento e redução do suporte anteriormente proporcionado pela valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. As projeções meteorológicas reforçam esse cenário. Dados baseados no modelo europeu indicam precipitações equivalentes a 122% da média histórica nas regiões produtoras de milho dos Estados Unidos nos próximos sete dias e 113% da normalidade entre oito e 14 dias. As temperaturas permanecem acima da média no curto prazo, com tendência de arrefecimento posteriormente, configuração considerada favorável ao desenvolvimento das lavouras.

O comportamento dos fundos de investimento também contribui para a pressão baixista. Informações da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) apontam vendas de 91 mil contratos de milho desde a primeira semana de maio, além de liquidação de 28 mil contratos de soja e 38 mil contratos de trigo soft red winter até 2 de junho. O movimento acelerou a correção dos preços após o período de valorização observado anteriormente. Apesar da pressão atual, a queda das cotações pode reduzir o interesse de venda por parte dos produtores norte-americanos. Com os preços da safra nova em níveis mais baixos e a existência de mecanismos de proteção de renda amplamente utilizados nos Estados Unidos, parte dos agricultores tende a adotar postura mais cautelosa na comercialização futura.

Esse comportamento poderá limitar o fluxo de vendas e reduzir parte da pressão sobre o mercado nos próximos meses, embora o viés predominante permaneça de oferta confortável e demanda ainda insuficiente para promover recuperação significativa dos preços. Segundo a AgResource, as cotações do milho na Bolsa de Chicago já devolveram grande parte dos ganhos acumulados anteriormente e retornaram para níveis próximos aos observados durante a colheita do outono norte-americano. O contrato disponível se aproxima da região de US$ 4,10 por bushel, patamar considerado próximo de uma zona de valor pelo mercado. O milho está cerca de US$ 0,18 por bushel abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado, mesmo diante das incertezas geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e dos custos energéticos mais elevados. Esse comportamento sugere que o cereal pode estar mais próximo de um piso de preços do que a soja no atual momento.

No horizonte de médio e longo prazo, o destaque é a possibilidade de formação de um forte evento de El Niño. As projeções indicam potencial intensificação do fenômeno entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, com anomalias de temperatura no Oceano Pacífico variando entre 3,2°C e 3,4°C acima da média. Caso o cenário se confirme, poderão ocorrer impactos relevantes sobre importantes regiões produtoras globais, incluindo áreas de trigo na Austrália, produção de óleo de palma no Sudeste Asiático, regime de monções na Índia e zonas agrícolas da região do Mar Negro. No Brasil, o mercado deverá acompanhar especialmente o comportamento climático em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul a partir de setembro, período que marca o início do desenvolvimento das lavouras da nova safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.