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08/Jun/2026

Futuros do milho caem com clima favorável nos EUA

Os contratos futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago encerraram o pregão de sexta-feira (05/06) em baixa, registrando a sexta sessão consecutiva de desvalorização. O mercado foi pressionado pelas condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos, pela continuidade da liquidação de posições compradas por fundos de investimento e pela ausência de novidades relevantes na demanda internacional. O contrato com vencimento em julho recuou 7,00 cents, ou 1,65%, e fechou a US$ 4,17 por bushel. O clima permaneceu como o principal fator de pressão sobre as cotações. As previsões meteorológicas indicam chuvas disseminadas e condições amplamente favoráveis para o desenvolvimento inicial da safra norte-americana.

Projeções baseadas em modelos climáticos apontam precipitações equivalentes a 132% da média normal para os próximos sete dias nas áreas produtoras de milho dos Estados Unidos, enquanto o período de oito a 14 dias deverá registrar volumes próximos de 98% da média histórica. O cenário climático favorável reforçou o movimento de venda dos fundos de investimento. Estimativas privadas indicam que esses participantes reduziram aproximadamente 245 mil contratos desde o pico das posições compradas registrado no início de maio. A perda de importantes níveis de suporte técnico acelerou a saída de recursos especulativos, ampliando a pressão sobre as cotações do cereal. A oferta global também contribuiu para o viés negativo do mercado.

Na América do Sul, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta uma safra recorde de milho na Argentina, estimada em 64 milhões de toneladas. Paralelamente, a colheita do milho de 2ª safra de 2026 avança no Brasil, ampliando a disponibilidade de produto para exportação e aumentando a concorrência no mercado internacional. O milho argentino também vem sendo ofertado com preços mais competitivos em relação ao cereal norte-americano, fator que contribui para reduzir a atratividade das exportações dos Estados Unidos em alguns mercados compradores. Apesar do cenário predominantemente baixista, agentes do mercado não descartam uma recuperação das cotações antes da colheita norte-americana. Uma eventual mudança nas condições climáticas dos Estados Unidos ou a retomada de compras expressivas por parte da China poderiam alterar o equilíbrio atual entre oferta e demanda e estimular um movimento de recuperação dos preços.

Além disso, a recente queda das cotações tornou o milho da nova safra dos Estados Unidos mais competitivo no mercado internacional. No entanto, a demanda adicional esperada pelos participantes ainda não se materializou em volume suficiente para sustentar uma reação consistente dos preços. O mercado também acompanha com cautela as discussões comerciais nos Estados Unidos. Propostas envolvendo tarifas sobre importantes parceiros comerciais do milho norte-americano, como México, Japão e Coreia do Sul, geram incertezas adicionais para o fluxo de exportações. Ao mesmo tempo, a ausência de avanços no Senado norte-americano sobre a proposta de ampliação permanente da comercialização da mistura E-15 de etanol retirou um potencial fator de sustentação para o consumo doméstico de milho destinado à produção de biocombustíveis.