08/Jun/2026
Segundo a Standard Grain, o milho segue pressionado na Bolsa de Chicago e uma recuperação mais consistente antes da colheita norte-americana dependerá, principalmente, de dois gatilhos que ainda não apareceram: compras chinesas da safra nova ou uma virada do clima nos Estados Unidos. Junho começou sem um fator novo de alta para os grãos. No milho, o mercado entrou numa queda forte, puxada por clima favorável nos Estados Unidos, safra argentina maior, falta de compras chinesas mais imediatas e forte saída dos fundos. Estimativas privadas indicam venda de cerca de 245 mil contratos desde o pico da posição comprada no começo de maio. Quando níveis importantes de suporte cedem, a liquidação ganha força e passa a pressionar o mercado por conta própria.
O clima norte-americano reforça esse movimento. A previsão segue favorável para boa parte do Corn Belt, com chuva disseminada e poucas áreas realmente ameaçadoras. Os dados da Crop Profit com base no modelo europeu, apontam que as áreas de milho dos Estados Unidos devem receber 132% da chuva normal nos próximos sete dias e 98% no período de 8 a 14 dias. O norte de Illinois ainda precisa de chuva mais consistente, mas não há nada de altista nessa previsão. Mesmo assim, não se descarta uma reação mais forte antes da colheita. Um rali de verão ainda é possível, desde que o mercado receba a notícia certa. Isso poderia vir de uma mudança no clima ou de uma compra relevante da China. Com a queda recente, o milho norte-americano novo já ficou barato o suficiente para chamar a atenção de importadores. O problema é que essa demanda ainda não apareceu no ritmo esperado.
Para a Logic Ag, a safra norte-americana começou bem em boa parte do Meio Oeste e, por enquanto, não há um problema climático amplo capaz de sustentar uma alta mais forte. Ainda assim, é cedo para falar em safra cheia. O mercado ficou mais cauteloso com histórias de seca porque isso já aconteceu outras vezes nos últimos anos e, mesmo assim, os Estados Unidos acabaram colhendo boas safras. Mesmo com esse pano de fundo, a recomendação é não ficar parado. Se o contrato dezembro voltar para a faixa de US$ 4,60 a US$ 4,65 por bushel, já faz sentido começar a travar parte das vendas.
Em um repique mais forte, a próxima referência seria US$ 4,75 por bushel. Para a Roach Ag, o produtor precisa chegar aos próximos meses com metas de vendas prontas, porque uma reação pode ser rápida. Uma compra da China ou uma mudança no clima pode mexer com o mercado em poucos dias. Ressalta-se que a safra norte-americana está boa em termos gerais, mas longe de ser perfeita. Houve replantio de parte das áreas de milho e soja em Illinois e problemas em Indiana, Ohio e partes de Kansas. Ainda assim, a percepção predominante é de que essas dificuldades seguem localizadas e não bastam, por ora, para virar o mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.