05/Jun/2026
Segundo a Standard Grain, o milho está pressionado na Bolsa de Chicago com o clima amplamente favorável às lavouras dos Estados Unidos, o que reduz a chance de uma alta mais forte no curto prazo. Sem uma mudança importante no clima, o mercado perde um dos principais motores de alta desta época do ano. Há três fatores de pressão. O primeiro é o clima. A previsão é de chuvas em boa parte do oeste e do centro do cinturão produtor dos Estados Unidos, enquanto o leste, que vinha excessivamente úmido, tende a secar, o que favorece o avanço dos trabalhos no campo. Dados da Crop Profit indicam que as áreas de milho devem receber 142% da chuva normal nos próximos sete dias e 107% no período de 8 a 14 dias, com temperaturas acima da média. Não há ameaça climática.
O segundo fator é geopolítico. O prêmio associado ao Oriente Médio e ao fertilizante já não sustenta novas compras como sustentou semanas atrás, porque o petróleo deixou de subir com força. O terceiro ponto é técnico. O contrato para dezembro rompeu para baixo a mínima de abril, em US$ 4,69 por bushel, o que abriu espaço para novas vendas. Um teste da mínima de janeiro, em US$ 4,45 por bushel, é perfeitamente possível. Junho começa com menos espaço para altas. As altas rápidas desta época do ano costumam nascer de previsões de seca. Com o mapa mais úmido, esse gatilho desaparece. Isso não significa que a safra norte-americana esteja livre de problemas, mas apenas que o mercado não tem hoje um motivo climático forte para disparar.
O cenário ficou mais apertado para o produtor norte-americano, porque o milho da nova safra já devolveu o prêmio embutido durante o conflito com o Irã, enquanto diesel e fertilizantes continuam caros. O barômetro da economia agrícola da Purdue University com o CME Group mostrou piora no humor do produtor pelo segundo mês seguido em maio. O índice caiu para 119 pontos, e 51% dos entrevistados apontaram o custo dos insumos como principal preocupação. Há ceticismo com a decisão do governo norte-americano de reduzir de 25% para 15% as tarifas sobre máquinas agrícolas e equipamentos de construção importados.
O ganho dificilmente chegará ao produtor. Fabricantes tendem a absorver esse benefício nas margens, e eventual queda de preços só viria se a fraqueza da economia agrícola derrubar de vez a demanda por máquinas. A soja acompanhou parte desse movimento. O mercado ainda tenta segurar um suporte técnico, mas segue vulnerável sem um novo fator de sustentação. No trigo, há risco para a qualidade da safra chinesa por acamamento, o que poderia ampliar a necessidade de importação, embora o mercado ainda não esteja dando muito peso a essa possibilidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.