03/Jun/2026
O mercado brasileiro de milho entra em junho acompanhando os primeiros resultados da colheita da 2ª safra de 2026 em Mato Grosso, que começam a confirmar produtividades elevadas nas áreas plantadas dentro da janela ideal. Apesar do bom desempenho inicial, agentes do setor seguem cautelosos quanto ao potencial final, já que os maiores problemas climáticos atingiram lavouras semeadas mais tarde e que ainda levarão algumas semanas para serem retiradas do campo. As áreas colhidas neste momento foram implantadas entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro e se beneficiaram de condições favoráveis ao longo do ciclo. Os primeiros números podem reforçar a percepção de uma safra cheia, embora não representem a situação de todas as regiões produtoras.
As perdas mais relevantes devem aparecer apenas a partir da segunda quinzena de junho, quando começarem a ser colhidas áreas semeadas após meados de fevereiro, que enfrentaram períodos de estiagem e calor durante o desenvolvimento. As lavouras que vão entrar com problemas são as que serão colhidas depois do dia 20 de junho. Enquanto isso, o mercado segue sem grandes estímulos. Os consumidores dão prioridade ao recebimento de contratos já firmados, exportadores aguardam a aproximação da temporada de embarques e os preços continuam mais influenciados pelo dólar e pela Bolsa de Chicago do que pelos fundamentos domésticos. O mercado interno registra recuos expressivos nas cotações e um forte desinteresse comprador, intensificando o descompasso entre participantes.
Em São Paulo, na região de Campinas, a postura dos compradores no spot é de total retração. Esses agentes indicam até R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, e não aceitam pagar mais do que isso pelo cereal. Para 2ª safra de 2026, as indicações para a exportação apresentam forte queda, puxada pela Bolsa de Chicago e pelo alongamento da janela logística da soja, que enfraqueceu os prêmios do cereal. As indicações para o porto, que antes atingiam R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, agora são de R$ 62,50 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho e pagamento em agosto; R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF, para agosto com pagamento em setembro; e R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, para outubro com pagamento em novembro.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, tanto o milho spot quanto da 2ª safra de 2026 dividem a mesma cotação de R$ 51,00 por saca de 60 Kg FOB para o canal de exportação. Quando direcionado para o consumo interno, o preço recua para a faixa dos R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, inviabilizando as vendas. Junho será um mês decisivo e de extrema cautela, visto que o desenvolvimento das lavouras continua bastante atrasado. O comportamento do produtor em reter a oferta está diretamente atrelado aos riscos climáticos remanescentes na região.