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03/Jun/2026

Futuros caem com liquidação de posições compradas

Os contratos futuros de milho encerraram o pregão desta terça-feira (02/06) em baixa na Bolsa de Chicago, refletindo a continuidade do movimento de liquidação de posições compradas por fundos de investimento e o cenário favorável para o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos. O contrato com vencimento em julho recuou 3,50 cents por bushel, ou 0,79%, e fechou a US$ 4,40 por bushel. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostraram que os fundos reduziram em 28% suas posições líquidas compradas em milho na semana encerrada em 26 de maio, passando de 293.342 para 211.337 contratos. Apesar da redução, o volume de posições ainda permanece elevado, indicando potencial para novas liquidações e pressão adicional sobre os preços. O mercado também retirou parte do prêmio de risco incorporado às cotações durante o agravamento das tensões no Oriente Médio.

Desde a máxima anual de US$ 4,85 por bushel, registrada em 4 de maio, os contratos acumulam queda de aproximadamente 9,3%. A percepção dos operadores é de que, mesmo sem uma solução definitiva para o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, os riscos de interrupção relevante no abastecimento global diminuíram. Outro fator de pressão veio da ampla oferta sul-americana. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta produção recorde de 64 milhões de toneladas de milho na Argentina na atual temporada. No Brasil, o início da colheita da 2ª safra de 2026 amplia as perspectivas de disponibilidade do cereal para exportação nos próximos meses. Além disso, o milho argentino segue sendo ofertado com desconto em relação ao produto norte-americano, aumentando a concorrência no mercado internacional.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que o plantio alcançou 93% da área prevista até o dia 31 de maio, acima dos 92% registrados no mesmo período do ano passado e da média dos últimos cinco anos. A emergência das lavouras atingiu 76% da área, em linha com o percentual observado em 2025 e acima da média histórica de 74%. O primeiro levantamento das condições das lavouras norte-americanas trouxe suporte limitado ao mercado. Segundo o USDA, 67% das áreas apresentam condição boa ou excelente, abaixo dos 69% observados há um ano e inferior à expectativa média do mercado, que apontava para 70%. Apesar desse indicador inicial menos favorável, o mercado continua concentrado no avanço da safra dos Estados Unidos e na forte oferta disponível na América do Sul, fatores que mantêm o viés de pressão sobre as cotações no curto prazo.