03/Jun/2026
Segundo a Céleres, a produção brasileira de milho 2ª safra de 2026 foi revisada para 110,9 milhões de toneladas, redução de 6,7 milhões de toneladas em relação à estimativa anterior de 117,6 milhões de toneladas. O principal fator para o ajuste foi a forte quebra produtiva registrada em Goiás, que deverá colher 10,5 milhões de toneladas, volume 29,8% inferior às 14,9 milhões de toneladas obtidas no ciclo anterior. A redução da produção em Goiá está associada ao atraso de aproximadamente 15 dias no plantio e ao baixo volume de chuvas registrado em abril. Como consequência, a produtividade média do Estado caiu de 7,4 toneladas para 5,1 toneladas por hectare, retração de 31,1%. Além de Goiás, outros Estados contribuíram para a revisão negativa da produção nacional. No Paraná, a estimativa recuou 19,7%, passando de 17,3 milhões para 13,9 milhões de toneladas, com produtividade reduzida de 6,4 toneladas para 5,1 toneladas por hectare.
Em Mato Grosso do Sul, a produção foi revisada de 12,5 milhões para 12,2 milhões de toneladas, queda de 2,5%. Em Minas Gerais, a projeção passou de 3,0 milhões para 2,7 milhões de toneladas, retração de 9,6%. Na comparação com a safra 2024/25, quando a produção nacional da 2ª safra de 2026 atingiu 118,8 milhões de toneladas, a estimativa atual representa redução de 7,9 milhões de toneladas. O desempenho de Mato Grosso ajudou a limitar perdas mais expressivas. Principal produtor nacional do cereal na 2ª safra, o Estado deverá colher 56,2 milhões de toneladas, alta de 1,3% frente às 55,5 milhões de toneladas da temporada anterior. A produtividade permaneceu praticamente estável em 7,3 toneladas por hectare. As Regiões Norte e Nordeste também apresentaram crescimento, com aumentos de 6,4% e 10,6%, respectivamente. A área plantada nacional avançou 2,7%, passando de 18,3 milhões para 18,8 milhões de hectares. Entretanto, o aumento da área não foi suficiente para compensar a queda de produtividade, que recuou 9,1% na média nacional, de 6,5 para 5,9 toneladas por hectare.
Mesmo após a revisão, a produção permanece suficiente para atender à demanda interna e às exportações. Considerando a soma da 1ª, 2ª e 3ª safras, a produção brasileira de milho em 2025/26 foi estimada em 140,1 milhões de toneladas. A oferta total deverá alcançar 162,3 milhões de toneladas, sustentada por estoques iniciais de 21,1 milhões de toneladas. Os estoques finais, porém, tendem a apresentar redução significativa. A projeção indica recuo de 21,1 milhões de toneladas em 2024/25 para 13,7 milhões de toneladas em 2025/26. Com isso, a relação estoque/consumo deverá cair de 15,3% para 9,2%, indicando menor folga no abastecimento. No mercado externo, há duas variáveis de atenção para o segundo semestre. A primeira envolve o potencial de importação do Irã, responsável por aproximadamente 30% das compras de milho brasileiro em 2025, em um cenário de instabilidade geopolítica no Oriente Médio. A segunda refere-se à valorização cambial, que pode reduzir a competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional. As exportações foram projetadas em 48 milhões de toneladas.
No mercado doméstico, a demanda segue aquecida. O consumo destinado à produção de biocombustíveis deverá crescer 10,2% em relação à safra anterior, enquanto o segmento de nutrição animal deve avançar 4,1%. O consumo interno total foi estimado em 100,6 milhões de toneladas. Para os preços, a projeção indica dois momentos distintos ao longo do ciclo. Entre junho e setembro, a tendência é de pressão sobre as cotações devido à concentração da colheita e aos custos logísticos elevados. A partir de setembro, o cenário poderá favorecer recuperação dos preços, apoiada pela perspectiva de estoques de passagem mais enxutos em 2026. No curto prazo, oscilações cambiais relacionadas ao ambiente eleitoral e as condições climáticas das lavouras nos Estados Unidos permanecem entre os principais fatores de influência sobre o mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.