01/Jun/2026
Os preços do milho estão em baixa na maior parte das regiões, influenciados pela ausência de compradores no mercado spot. Com o início da colheita da 2ª safra de 2026, esses agentes mantêm a expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas, pressionando as cotações. Por enquanto, a colheita, que ainda está no início, se concentra apenas nos estados do Paraná e de Mato Grosso, e os preços estão em patamares inferiores aos do início da temporada 2024/25. Nas regiões de Sorriso (MT) e norte do Paraná, as médias de maio (até o dia 28), estão 11% e 8% inferiores à média de maio/25, em termos nominais. Os compradores mantêm a expectativa de que, com o avanço dos trabalhos de campo a partir de meados de junho, os preços possam ceder ainda mais, influenciados pelo aumento da oferta do cereal da 2ª safra de 2026 e da safra de verão (1ª safra 2025/2026), além da maior concorrência entre armazéns. Além disso, o bom andamento da semeadura nos Estados Unidos também tem pressionado os futuros, cenário que, por sua vez, limita a paridade de exportação.
Nem mesmo as preocupações com as adversidades climáticas, como as altas temperaturas e a falta de chuvas em Goiás e em partes de Mato Grosso do Sul, além das geadas no Paraná, são suficientes para conter as quedas. Porém, as cotações seguem firmes em Santa Catarina e apresentam alta no Rio Grande do Sul, que praticamente finalizaram a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/26). Nos últimos sete dias, os preços registram baixa de 0,6% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor) e de 0,9% no mercado de lotes (negociação entre empresas). No acumulado de maio, o recuo foi de 1,3% no mercado de lotes, mas houve alta de 1,5% no mercado de balcão. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) está cotado a R$ 64,90 por saca de 60 Kg, retração de 0,8% nos últimos sete dias e queda de expressivos 3% no acumulado de maio. A média da parcial de maio ficou 3,4% inferior à de abril e é a mais baixa desde agosto/24, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de abril/26). Na B3, os vencimentos acumulam quedas, pressionados pela colheita, pelo retorno das chuvas em partes das regiões produtoras brasileiras e pela baixa nos contratos na Bolsa de Chicago.
O contrato Jul/26 tem baixa de 2,2% nos últimos sete dias, a R$ 65,88 por saca de 60 Kg; Set/26 e Nov/26 estão cotados a R$ 68,73 por saca de 60 Kg e a R$ 71,36 por saca de 60 Kg, respectivamente, com retrações de 1,9% e de 2%. A colheita da 2ª safra de 2026, que começou no Paraná e em Mato Grosso, registrou média nacional de apenas 0,1% até o dia 22 de maio, ante 0,3% na safra anterior e 0,5% na média das últimas cinco safras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No Paraná, as recentes chuvas beneficiaram as lavouras em desenvolvimento. O Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) apontou que a colheita teve início apenas nas regiões de Laranjeiras do Sul, Cascavel e União da Vitória. A área do Estado está prevista em 2,90 milhões de hectares (aumento anual de 7%) e produção de 17,53 milhões de toneladas (3% maior que em 2024/25). O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que 0,57% da área foi colhida até o dia 22 de maio em Mato Grosso, avanço de 0,26% em relação à temporada anterior, com as primeiras lavouras colhidas apresentando boa produtividade.
Quanto à safra de verão (1ª safra 2025/2026), a colheita somava 80,7% da área nacional até o dia 22 de maio, abaixo dos 83,2% da média dos últimos cinco anos, segundo a Conab. Os preços externos estão pressionados pelo enfraquecimento dos preços do petróleo e do trigo, além do avanço da semeadura nos Estados Unidos. As quedas, no entanto, são limitadas pela demanda internacional aquecida pelo cereal dos Estados Unidos. Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Jul/26 e Set/26 apresentam quedas de 1,4% e 0,9%, a US$ 4,55 por bushel e a US$ 4,64 por bushel, respectivamente. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou que, até o dia 24 de maio, a semeadura do cereal chegou a 86% da área estimada nos Estados Unidos, contra 83% da média dos últimos cinco anos. Na Argentina, a colheita chegou a 34,7% da área colhida, avanço semanal de apenas 1,8%, conforme dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.