26/May/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir pressionado até o fim de junho, com o câmbio limitando a competitividade nas exportações e o físico ainda sem força para reagir, apesar de perdas regionais na 2ª safra de 2026. Os primeiros resultados de campo serão decisivos para medir o tamanho dos ajustes na produção. Algumas regiões de Mato Grosso podem produzir menos que o esperado, especialmente no Vale do Araguaia e no Xingu, onde houve plantio fora da janela e nova estiagem. Também há problemas no sul de Mato Grosso do Sul e no norte do Paraná, com granizo, vento forte e tombamento de plantas. Possíveis revisões negativas da safra só devem ganhar maior clareza quando a colheita avançar. Até lá, o mercado tende a continuar lateralizado, com preços fracos no interior e pouca sustentação na B3. O ambiente pode melhorar a partir do fim de junho ou início de julho, quando a pressão inicial da oferta começar a passar e os impactos climáticos forem melhor dimensionados. O avanço, porém, dependerá do tamanho real das perdas e da capacidade do mercado interno de absorver o milho, já que o dólar baixo reduz a competitividade brasileira para embarques futuros de julho, agosto e setembro. O mercado interno vive uma queda de braço entre as pontas, com produtores resistindo às tentativas de baixa dos compradores.
No Paraná, na região de Ponta Grossa, os compradores tentam forçar recuos nos preços, argumentando a boa condição da 2ª safra de 2026 e a ausência de geadas ou seca severa no Centro-Oeste. No entanto, os vendedores não cedem e mantém a indicação firme em R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF. Há registro de negócios pontuais para fábricas de ração nesse nível, apesar da intenção de compra a R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF. No balcão, o preço é de R$ 59,00 por saca de 60 Kg. Para 2ª safra de 2026, as indicações de tradings estão em R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em julho e pagamento em agosto, e chegam a R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF, para agosto com pagamento em setembro. Contudo, a comercialização é limitada pelo atraso na colheita e pela previsão de chuvas constantes em junho. A expectativa de aumento na produção argentina é um fator de atenção devido à oferta excedente no mercado regional.
Em Mato Grosso, na região de Campo Verde, o milho spot começa a ganhar movimento pela necessidade de espaço nos armazéns. Há registro de negócios a R$ 42,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque até 10 de junho e pagamento imediato. Embora muitos compradores esperem pela 2ª safra de 2026, as indústrias estão ficando desabastecidas e podem ter que pagar mais caro se demorarem, já que o setor de etanol está agressivo e comprando via cooperativas no patamar de R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB, que equivale a entre R$ 45,00 e R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB (via pessoa física). Para 2ª safra de 2026, a indicação é de R$ 47,00 por saca de 60 Kg FOB. O produtor, contudo, segue indicando R$ 50,00 por saca de 60 Kg. Alguns agricultores optaram por vender nos níveis atuais apenas para travar custos antes da pressão sazonal que deve ocorrer com a entrada da safra a partir de julho.