25/May/2026
A 2ª safra de 2026 vem apresentando desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões produtoras, com exceção de regiões pontuais em Goiás, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas (geadas e tempo seco) preocupam agentes quanto à produtividade. Mesmo assim, há perspectiva de oferta elevada no segundo semestre. Uma parte dos vendedores tem apresentado cautela em negociar diante dos possíveis impactos da adversidade climática na safra e, assim, se mantêm firmes nos valores. Por outro lado, alguns desses agentes estão flexíveis, com o intuito de liberar armazéns e de fazer caixa. Compradores, por sua vez, comercializam apenas pontualmente, nos momentos de valores mais baixos, visto que têm estoques para as próximas semanas. Nesse contexto, o movimento de queda foi interrompido em parte das regiões produtoras. Nos últimos sete dias, os preços registram avanço de 1,8% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,5% no mercado de lotes (negociação entre empresas).
No mesmo período, o Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP), se mantém relativamente estável (-0,02%), cotado a R$ 65,41 por saca de 60 Kg. Na B3, as preocupações com o clima para 2ª safra de 2026 também dão suporte aos vencimentos futuros. Nos últimos sete dias, os contratos Jul/26 e Set/26 apresentam avanços de 0,5% e 0,1%, respectivamente, indo para R$ 67,33 por saca de 60 Kg e a R$ 70,03 por saca de 60 Kg. As altas dos futuros e do dólar e o início da colheita da 2ª safra de 2026 nas próximas semanas podem intensificar as negociações nos portos. Porém, até o momento, a comercialização no spot segue enfraquecida. Por enquanto, na parcial de maio (considerando-se os 10 primeiros dias úteis), as exportações brasileiras de milho somaram 134,74 mil toneladas, volume três vezes acima do registrado no mesmo mês de 2025, de apenas 38,92 mil toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Para a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), os embarques em maio devem ser de 419,7 mil toneladas.
A colheita da 2ª safra de 2026 deve se iniciar nos próximos dias em Mato Grosso. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, apesar do retorno das chuvas, o tempo seco até medos de maio pode reduzir a produtividade das lavouras, sobretudo naquelas semeadas fora da janela. No Paraná, além da seca, geadas também preocupam os produtores. O Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) apontou uma piora nas condições das lavouras 2026/27, devido às geadas pontuais no sul do Estado. Na semana anterior, as lavouras em boas condições eram de 84%, passando para 82% nesta semana. No entanto, o órgão ainda aposta que não devem ocorrer impactos significativos na produção do estado, já que as principais regiões produtoras estão no oeste e norte. Para os estados de São Paulo e de Minas Gerais, as recentes precipitações têm beneficiado o desenvolvimento das lavouras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Quanto à safra de verão (1ª safra 2025/2026), até 15 de maio, a colheita totalizou 75,3% da área nacional, segundo dados da Conab.
No Paraná, a colheita foi finalizada até o início desta semana, segundo o Deral/Seab. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater-RS, favorecida pela falta de chuvas, a colheita do cereal avançou, chegando a 96% da área no dia 21 de maio, restando as lavouras tardias para finalizar os trabalhos de campo. Em Santa Catarina e em São Paulo, a colheita foi finalizada, segundo a Conab. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos divulgou novas previsões quanto ao El Niño em 2026. O fenômeno tem 82% de chance de ocorrer, o que, no Brasil, pode aumentar as chuvas na Região Sul, mas deve causar períodos de estiagem nas Regiões Norte e Nordeste e temperaturas elevadas nas áreas centrais do País. Nos Estados Unidos, os futuros iniciaram a semana passada em alta, impulsionados pelo anúncio de que a China irá comprar pelo menos US$ 17 bilhões de produtos agrícolas norte-americanos. No entanto, a desvalorização recente do petróleo e o rápido avanço da semeadura nos Estados Unidos estão pressionando os valores.
Apesar de a seca preocupar produtores no estado de Nebraska, as outras regiões apresentaram melhora no nível de umidade do solo na última semana, favorecendo os trabalhos de campo. Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Jul/26 e Set/26 registram baixa de 1,12% e 1,2% nos últimos sete dias, a US$ 4,62 por bushel e a US$ 4,68 por bushel, respectivamente. Quanto aos trabalhos de campo nos Estados Unidos, dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que 76% da área havia sido semeada até o dia 17 de maio, igual registrado no ano anterior, mas 6% acima da média dos últimos cinco anos. Na Argentina, novas estimativas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicam que 64 milhões de toneladas de milho devem ser colhidas no país, 3 milhões a mais que a projeção anterior. Essa melhora é reflexo do aumento de 300 mil hectares destinados ao cereal. Quanto aos trabalhos de campo, até o dia 21 de maio, 32,9% da área tinha sido colhida, avanço semanal de apenas 0,9%, devido à prioridade para a colheita da soja. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.