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21/May/2026

Preços sem direção clara e comercialização travada

A comercialização de milho no mercado brasileiro deve seguir com baixa liquidez, com a B3 mais sensível ao câmbio do que ao risco climático, e o mercado físico ainda travado. Os preços só devem ganhar direção mais clara quando os primeiros dados de campo indicarem o tamanho efetivo da 2ª safra de 2026. Há relatos de estresse hídrico em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e oeste do Paraná, mas ainda há divergência entre as estimativas de produção. Uma produção de 135 milhões de toneladas ainda seria suficiente para atender ao mercado, principalmente diante da possibilidade de exportações menores e de maior oferta da Argentina. Diante de uma possibilidade de redução de exportação, há possibilidade de a gente ter um quadro de oferta e demanda um pouco mais aliviado. No mercado físico, a comercialização é pontual. O produtor evita avançar nas vendas porque ainda não sabe quanto terá disponível e considera o custo financeiro de carregar o milho. O mercado deve continuar oscilando em faixa estreita até que os números de campo confirmem ou não as perdas provocadas pelo clima.

No Paraná, na região de Cascavel, a comercialização de milho segue em compasso de espera, com uma clara tendência de convergência de preços entre o grão disponível e o da 2ª safra de 2026. O mercado spot trabalha com indicações de indústrias entre R$ 61,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto as indicações para 2ª safra de 2026 chegam a R$ 59,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá. A 2ª safra de 2026 é consideravelmente menor que a anterior, mas o grande volume carregado do ano passado impede altas nas cotações. A estratégia do produtor agora é carregar estoque para o fim do ano e início de 2027, apostando que o El Niño atrase o plantio no Centro-Oeste e impulsione os preços em janeiro de 2027. Para safra de verão (1ª safra 2026/2027), o foco é quase exclusivo nas operações de barter, via cooperativas, com tradings indicando entre R$ 68,00 e R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá. Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, a paridade entre o mercado spot e a 2ª safra já é realidade, com indicações na faixa de R$ 52,00 a R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB. Nestes níveis, o risco de perdas em função de geadas em junho e julho ainda não foi precificado. Nesse cenário, a retração vendedora é forte. Os produtores da região evitam fixar volumes antes de ter certeza do que irão colher, mantendo a liquidez em níveis mínimos.