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21/May/2026

Etanol de Milho: Inpasa apostando no uso marítimo

A Inpasa avalia que o etanol para uso marítimo pode se tornar uma nova frente de crescimento para a companhia nos próximos anos, após a aprovação da Organização Marítima Internacional (IMO) para o uso do biocombustível no setor. Segundo a empresa, que produz etanol de milho, a decisão acelerou conversas com grupos globais de navegação e reforçou planos de ampliação da capacidade produtiva. O gerente corporativo de sustentabilidade e advocacy da Inpasa, Bruno Henrique Maier, afirmou que o setor marítimo passou a ocupar posição estratégica dentro da companhia. "Esse é um mercado super estratégico", disse. Segundo ele, as negociações ganharam velocidade após a aprovação da IMO. "Aceleraram muito", afirmou. "Se antes eu estava falando de suposta comercialização, hoje essa conversa deixou de ser teórica, hoje ela é na prática", acrescentou. De acordo com Maier, a companhia já mantém conversas avançadas com empresas globais ligadas aos setores de navegação, mineração e energia, embora os projetos ainda não tenham sido anunciados oficialmente.

"As grandes empresas, como Maersk, CMA, Mitsui, Petrobras e Vale, estão olhando nessa direção", disse. A Inpasa projeta produzir entre 6,7 bilhões e 7 bilhões de litros de etanol em 2026, acima dos 5,8 bilhões de litros registrados em 2025. A expectativa da companhia é alcançar entre 9 bilhões e 10 bilhões de litros até 2030, apoiada na expansão das operações e no avanço de novos mercados para o biocombustível. A perspectiva leva em conta o potencial de crescimento da demanda por combustíveis renováveis no transporte marítimo. Segundo Maier, estudos apontam necessidade global de cerca de 330 milhões de toneladas de bunker fóssil em 2030. "Se 10% vierem do etanol, estamos falando de 33 milhões de toneladas de bunker sendo substituídas por biocombustível", afirmou. Segundo o executivo, considerando a equivalência energética, essa substituição demandaria cerca de 38 bilhões de litros de etanol, volume próximo de toda a produção brasileira atual. "É um novo Brasil", disse.

Maier lembrou que a empresa está ampliando a unidade de Nova Mutum (MT), está em fase de construção de outra em Rondonópolis (MT) e inaugurou recentemente operações em Balsas (MA) e Luís Eduardo Magalhães (BA). Segundo ele, a expansão também está relacionada à abertura de novos mercados para o etanol, incluindo aviação e indústria petroquímica. O executivo ponderou que eventuais novos investimentos dependerão da consolidação da demanda e da assinatura de contratos de longo prazo. "Cada planta nova demanda literalmente R$ 1 bilhão", disse. "A Inpasa sempre foi bastante criteriosa para definir seus investimentos", acrescentou. Na avaliação da companhia, o etanol de milho de 2ª safra brasileiro reúne condições para ganhar escala no bunker marítimo global. Segundo Maier, o diferencial está na capacidade de expansão sem necessidade de abertura de novas áreas agrícolas. "O Brasil consegue dobrar a produção sem um hectare adicional de floresta", afirmou. Fonte: Broadcast Agro.