20/May/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir sem direção definida no curto prazo, com a B3 sustentada por algum prêmio de risco climático, apoio externo e baixa disposição de venda do produtor, mas sem movimento agressivo de compra no físico. As geadas registradas na Região Sul do País tiveram, até agora, efeito localizado e não representaram perda expressiva, embora o risco climático continue no radar. A possibilidade de nova massa de ar polar, após as chuvas, mantém parte do mercado protegido. Esse fator, por enquanto, não tem um peso grande. O mercado físico segue travado porque o produtor resiste a vender nos níveis atuais. Os poucos negócios têm ocorrido para demanda interna, especialmente ração, com compradores indicando valores acima da paridade de exportação em algumas localidades da Região Sul.
Há indicações próximas de R$ 65,00 por saca de 60 Kg para posições à frente no interior do Paraná e de Santa Catarina, voltadas ao consumo interno. O setor de ração começa a olhar com mais atenção o risco de aperto adiante. Além das incertezas sobre o tamanho da 2ª safra de 2026, há lentidão nas compras de insumos e fertilizantes para o plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027), que começa entre agosto e setembro. Produtores de Goiás, Minas Gerais, Primavera do Leste (MT) e Campo Verde (MT) relatam perdas por seca, mas esse quadro ainda não aparece com força nas estimativas oficiais. Os números atuais de produção, acima de 108 milhões de toneladas para a 2ª safra de 2026, ainda dão conforto ao comprador e ajudam a manter o mercado calmo. Ao mesmo tempo, parte da indústria começa a desconfiar dessas projeções.
Em São Paulo, na região de Campinas, as chuvas do fim de semana trouxeram alívio para as lavouras e podem mudar a estratégia do produtor, que pode ser forçado a liberar o estoque antigo para abrir espaço físico. No entanto, a distância entre comprador e vendedor segue expressiva. No mercado spot, a indústria local não aceita pagar mais que R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto o produtor indica entre R$ 65,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2026, tradings indicam até R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, mas a conta do frete tira a atratividade para quem está longe do porto.
Em Mato Grosso, na região de Sinop, a comercialização do milho disponível segue lenta e pautada na queda de braço entre as pontas. Os vendedores indicam 45,00 por saca de 60 Kg FOB, mas os compradores do setor de confinamento indicam até R$ 40,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2026, o único fôlego vem das usinas de etanol, que se mostraram mais agressivas pagando R$ 48,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho. O canal de exportação não atrai vendedores, visto que tradings indicam R$ 40,00 por saca de 60 Kg FOB, patamar que mantém a liquidez mínima.