20/May/2026
A expansão da produção brasileira de milho consolidou o País como um dos principais concorrentes dos Estados Unidos no mercado global, impulsionada principalmente pelo avanço do milho de 2ª safra, sistema que permite maior diluição dos custos fixos entre diferentes culturas no mesmo ano agrícola. Relatório da Purdue University aponta que a dinâmica de custos entre propriedades de Mato Grosso e Iowa evidencia diferenças estruturais relevantes na resiliência econômica dos produtores de cada país. Segundo o estudo, os custos totais de produção de milho em Mato Grosso mais que dobraram entre 2020 e 2024, passando de US$ 69,00 por tonelada para US$ 147,00 por tonelada.
O avanço foi impulsionado principalmente pela elevação dos custos diretos, como sementes e fertilizantes, que passaram a representar mais de 50% das despesas totais das propriedades analisadas. A dependência brasileira de insumos importados amplia a exposição do setor a choques internacionais. O Brasil importa aproximadamente 95% do nitrogênio consumido internamente, insumo fortemente impactado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pela valorização do dólar frente ao Real. Nos Estados Unidos, o avanço dos custos ocorreu de forma mais moderada. Em Iowa, principal Estado produtor norte-americano, os custos aumentaram 22% entre 2020 e 2024, alcançando US$ 195,00 por tonelada.
A estrutura de custos norte-americana, porém, apresenta maior peso dos custos indiretos, especialmente terra e depreciação de maquinário, que representam mais de um terço das despesas totais. Esse perfil reduz a flexibilidade financeira das propriedades em períodos de queda das commodities agrícolas. O estudo destaca que os custos fixos nos Estados Unidos apresentam ajuste mais lento diante da retração dos preços agrícolas, dificultando a recuperação das margens operacionais em cenários de baixa do mercado. As diferenças estruturais ficaram mais evidentes após o ciclo de forte valorização do milho em 2022, quando os contratos em Chicago superaram US$ 6,00 por bushel.
Naquele ano, propriedades de Iowa registraram lucro de aproximadamente US$ 60,00 por tonelada, enquanto em Mato Grosso o resultado positivo alcançou US$ 45,00 por tonelada. Nos anos seguintes, com a retração das cotações internacionais, ambos os modelos registraram prejuízos. Ainda assim, as perdas foram mais intensas nos Estados Unidos, chegando a US$ 28,00 por tonelada, enquanto em Mato Grosso o prejuízo foi limitado a US$ 14,00 por tonelada. O modelo brasileiro de 2ª safra amplia a capacidade de absorção das quedas de preços ao permitir melhor aproveitamento da estrutura produtiva e maior diluição de custos fixos.
Apesar do avanço brasileiro em competitividade, os Estados Unidos mantêm vantagem estrutural em produtividade. O relatório aponta que a produtividade média do milho norte-americano permanece superior ao dobro da registrada no Brasil, refletindo décadas de especialização tecnológica e intensificação produtiva. O estudo conclui que a disputa global pelo mercado de milho segue equilibrada entre a elevada produtividade norte-americana e a capacidade brasileira de operar com custos totais relativamente menores por meio da integração entre culturas e expansão do sistema de 2ª safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.