20/May/2026
Segundo a consultoria Veeries, a produção brasileira de milho poderá alcançar 189 milhões de toneladas em 2031, frente às 144 milhões de toneladas estimadas para 2026. O crescimento projetado de 55 milhões de toneladas em cinco anos deverá ser sustentado principalmente pela expansão da indústria de etanol de milho, que se consolida como um dos principais vetores de demanda doméstica para o cereal. O etanol de milho deverá responder sozinho por crescimento anual de 3,2% na demanda interna pelo cereal nos próximos cinco anos. Sem a contribuição desse segmento, o crescimento projetado para a cultura cairia de quase 6% ao ano para 2,6% ao ano.
A diferença equivale a aproximadamente 3 milhões de hectares adicionais de área cultivada impulsionados pela expansão do setor de biocombustíveis. A área plantada com milho no Brasil deverá avançar de 23 milhões de hectares em 2026 para 27 milhões de hectares em 2031. No mesmo período, o consumo doméstico de milho deverá crescer de 104 milhões para 139 milhões de toneladas, avanço de 35 milhões de toneladas concentrado principalmente na demanda das usinas de etanol. As exportações brasileiras de milho também deverão avançar, passando de 39 milhões para 49 milhões de toneladas até 2031.
A expansão do etanol de milho deverá ampliar simultaneamente a oferta de DDG, coproduto utilizado na nutrição animal. A Veeries projeta que o consumo doméstico de DDG alcance 5,7 milhões de toneladas em 2031, ante 3,9 milhões de toneladas previstas para 2026, crescimento médio anual de 7,9%. As exportações de DDG apresentam perspectiva ainda mais acelerada, podendo atingir 4,6 milhões de toneladas em 2031, frente a 1,2 milhão de toneladas em 2026, expansão média anual de 24%. O avanço desses fluxos deverá ampliar a necessidade de investimentos logísticos para escoamento tanto de farelo quanto de DDG, acompanhando a expansão da indústria de biocombustíveis e proteína animal. O setor de carnes também tende a se beneficiar do aumento da oferta de insumos para ração animal.
A maior disponibilidade de DDG proveniente do etanol de milho, associada ao crescimento do esmagamento de soja para produção de biodiesel e farelo, deverá reforçar a competitividade da proteína animal brasileira. A produtividade média do milho de 2ª safra também apresentou forte evolução na última década. O rendimento médio avançou de 90 sacas de 60 Kg por hectare para 133 sacas de 60 Kg por hectare nos últimos dez anos, crescimento médio anual de 4%. O cenário reforça a importância crescente do milho na matriz energética e agroindustrial brasileira, com expansão simultânea da produção de grãos, biocombustíveis e insumos para nutrição animal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.