20/May/2026
Segundo a consultoria Veeries, a produção de etanol de milho deverá representar quase 45% da oferta nacional do biocombustível em 2031, ante participação próxima de 30% atualmente e de 11% registrada em 2021. A estimativa aponta que a produção total de etanol no Brasil deverá crescer de cerca de 46 bilhões de litros para entre 54 bilhões e 55 bilhões de litros até 2031. O avanço do etanol de cana-de-açúcar deve responder por aproximadamente 2 bilhões de litros adicionais no período, enquanto a maior parte da expansão será sustentada pelo etanol de milho. O crescimento da produção altera a geografia do abastecimento nacional de etanol e amplia a relevância do Centro-Oeste na oferta do biocombustível. Mato Grosso consolidou-se como principal região excedentária, enquanto São Paulo passou de exportador regional para demandante de produto de outras regiões do País.
O avanço da capacidade industrial exigirá ampliação das exportações brasileiras para evitar excesso de oferta no mercado doméstico. Atualmente, os Estados Unidos concentram praticamente todo o destino relevante do etanol brasileiro, embora também permaneçam como concorrentes globais no setor. A estratégia defendida pela consultoria envolve maior diversificação dos mercados compradores, em modelo semelhante ao das exportações brasileiras de açúcar, cuja pauta é distribuída entre diversos países importadores. O avanço da industrialização de grãos também estimula novos investimentos no Centro-Oeste. A 3tentos informou que a decisão de investir em etanol de milho no nordeste de Mato Grosso ocorreu após estudos envolvendo alternativas de processamento de grãos, incluindo experiências internacionais com etanol de trigo.
A companhia priorizou inicialmente projetos de esmagamento de soja e agora avança para uma nova etapa de industrialização baseada no milho. A escolha da região de Porto Alegre do Norte, próxima a Confresa (MT), considerou fatores como disponibilidade de matéria-prima, potencial de desenvolvimento regional e estruturação prévia da originação de grãos. A empresa está em fase final de licenciamento e aguarda autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar as operações. O sorgo também deverá ganhar espaço como matéria-prima complementar ao milho em regiões com menor janela de plantio ou restrição hídrica. O DDG, coproduto do etanol de milho utilizado na alimentação animal, deverá encontrar demanda crescente nas regiões de pecuária intensiva e confinamento bovino do nordeste de Mato Grosso, reduzindo desafios logísticos de escoamento.
No Rio Grande do Sul, a 3tentos projeta expansão das áreas cultivadas com canola e carinata, destinadas à produção de biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF). A área dessas culturas deverá atingir cerca de 400 mil hectares neste inverno, ante aproximadamente 210 mil hectares no ciclo anterior. Segundo a empresa, caso os mandatos de biodiesel avancem conforme o previsto, a área de canola poderá superar 1 milhão de hectares no Rio Grande do Sul nos próximos dois ou três anos. Uma das unidades industriais da companhia no Estado será adaptada para processar canola além da soja. A expansão dessas culturas é vista como alternativa para ampliar a rentabilidade do inverno no Sul do Brasil, fortalecendo sistemas de rotação com trigo e pastagens de inverno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.