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20/May/2026

Etanol de Milho: ratings da Amaggi em revisão

A Moody's Ratings colocou os ratings da Amaggi em revisão para possível rebaixamento após o anúncio da aquisição de 40% da FS, uma das principais produtoras brasileiras de etanol de milho. A agência avalia que a operação deverá elevar a alavancagem da companhia, já que parte relevante da transação tende a ser financiada por dívida. Foram colocados em revisão o rating corporativo familiar (CFR, na sigla em inglês) Ba3 da Amaggi e as notas seniores sem garantia real emitidas pela Amaggi Luxembourg International, também classificadas em Ba3 e com vencimento em 2028. Antes da medida, a perspectiva dos ratings era estável.

Segundo a Moody’s, a revisão irá se concentrar na aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e na capacidade da Amaggi de preservar seu perfil de crédito diante do aumento do endividamento para financiar a aquisição e refinanciar obrigações de curto prazo. No fim de 2025, a alavancagem da Amaggi, medida pela relação dívida total sobre Ebitda, estava em 4,6 vezes, enquanto a alavancagem líquida era de 3,3 vezes. A agência também pretende avaliar o potencial de sinergias em originação, comercialização e logística de grãos, além do prazo necessário para capturar esses ganhos.

A Moody’s destacou que, embora a aquisição aumente a escala e a diversificação da Amaggi, a companhia continuará exposta a riscos semelhantes aos de suas atuais operações agrícolas e de trading, incluindo volatilidade da produção agrícola, ciclos de preços de commodities e pressão sobre margens ao longo da cadeia do agronegócio. A agência classificou a liquidez da companhia como adequada. No fim de 2025, a Amaggi possuía US$ 870 milhões em caixa e US$ 645 milhões em estoques negociáveis. Considerando os ajustes da Moody’s, a dívida total somava US$ 3 bilhões em dezembro de 2025. Do total da dívida, US$ 886 milhões vencem em 2026, outros US$ 452 milhões em 2027 e há ainda um bond de US$ 750 milhões com vencimento em janeiro de 2028.

Segundo a Moody’s, US$ 447 milhões dos vencimentos previstos para 2026 e 2027 referem-se a adiantamentos sobre contratos de câmbio, instrumento de financiamento amplamente utilizado pelo agronegócio exportador. A agência acrescentou que a administração da Amaggi mantém alguma flexibilidade de liquidez por meio da venda de estoques, alienação de ativos, postergação de investimentos e ajustes em dividendos, embora ressalte que essas medidas dependem de execução e condições de mercado. Fonte: Broadcast Agro.