19/May/2026
Os contratos futuros de milho fecharam em forte alta na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (18/05), impulsionados pela cobertura de posições vendidas após o anúncio do governo norte-americano sobre novas compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos. O vencimento julho avançou 21,25 cents, ou 4,66%, e fechou a US$ 4,77 por bushel. O movimento ocorreu após o mercado acumular queda de 3,29% na semana anterior. Fundos de investimento reduziram em 14,22% sua posição líquida comprada em milho na semana encerrada em 12 de maio, passando de 344.641 para 295.620 contratos. O ajuste reduziu preocupações sobre um excesso de alavancagem comprada no mercado e favoreceu recomposição técnica das posições.
O anúncio envolvendo compras chinesas de produtos agropecuários americanos trouxe suporte adicional às cotações. Parte do mercado, porém, segue avaliando se os compromissos chineses representarão efetivamente demanda nova para os grãos dos Estados Unidos ou apenas redirecionamento dos fluxos globais de comércio agrícola. Analistas avaliam que eventual aumento das compras chinesas nos Estados Unidos pode reduzir parte da demanda atualmente direcionada ao Brasil e à Argentina, alterando a dinâmica global das exportações de grãos. O avanço do petróleo também contribuiu para sustentar o mercado. A valorização da commodity melhora a competitividade do etanol nos Estados Unidos, produzido majoritariamente a partir do milho.
O mercado continua monitorando os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços da energia e seus reflexos sobre o setor de biocombustíveis. As condições climáticas nos Estados Unidos também deram suporte às cotações. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), fortes tempestades provocaram tornados e inundações em áreas do Cinturão do Milho, aumentando preocupações sobre o desenvolvimento inicial da safra. O USDA informou ainda que 1,38 milhão de toneladas de milho foram inspecionadas para embarque em portos norte-americanos na semana encerrada em 14 de maio, queda de 19% frente à semana anterior. No acumulado do ano comercial, o volume inspecionado soma 58,6 milhões de toneladas, avanço de 28,5% ante igual período do ciclo anterior.