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14/May/2026

Margens pressionam safra de milho em 2026/2027

Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o cenário de preços deprimidos do milho e a elevação dos custos de produção colocam em risco a viabilidade econômica da safra brasileira de milho 2026/27, especialmente em Mato Grosso. A avaliação aponta deterioração das margens do produtor diante da combinação entre queda das cotações, valorização de insumos e perspectivas de menor produtividade. Os custos ligados ao óleo diesel e aos fertilizantes fosfatados e nitrogenados permanecem em níveis elevados, enquanto os preços de comercialização do cereal não remuneram adequadamente o produtor. Nesse ambiente, a tendência para o próximo ciclo é de redução de área cultivada e menor investimento em tecnologia no campo. A pressão sobre a rentabilidade foi agravada pelo comportamento atípico do mercado no primeiro trimestre deste ano, período em que não ocorreu o movimento tradicional de recuperação das cotações entre janeiro e março.

Embora o mercado interno e as usinas de etanol de milho estejam oferecendo prêmios pontuais próximos de R$ 2,00 por saca de 60 Kg, esses diferenciais não são suficientes para sustentar os preços internos, uma vez que o mercado exportador segue como principal referência para formação das cotações, sobretudo na 2ª safra de 2026. No curto prazo, o ambiente segue pressionado pela combinação entre dólar em queda no Brasil e preços internacionais fragilizados, dificultando uma recuperação mais consistente das cotações domésticas. A Aprosoja-MT também alertou para perspectivas de menor produtividade na atual 2ª safra de milho em Mato Grosso, cuja colheita começa no fim de maio. O atraso no plantio da soja e o encerramento antecipado das chuvas comprometeram o desenvolvimento das lavouras em diversas regiões produtoras.

Enquanto o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta produtividade média de 118 sacas de 60 Kg por hectare, as perdas podem ser mais severas, a ponto de neutralizar o aumento de aproximadamente 200 mil hectares na área plantada nesta temporada. No mercado externo, há aumento das incertezas relacionadas ao fluxo de exportações brasileiras de milho, especialmente diante dos riscos geopolíticos envolvendo o Irã, principal comprador do cereal brasileiro em 2025. A insegurança nas rotas comerciais reduz o interesse dos agentes em assumir posições de risco e amplia a pressão negativa sobre os preços. A avaliação é de que o mercado interno brasileiro teria dificuldade para absorver um excedente expressivo caso houvesse interrupção relevante das exportações ao Irã, exigindo abertura de novos mercados e alternativas logísticas em um cenário global considerado desafiador. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.