12/May/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir marcado pela forte queda de braço, equilibrando a pressão negativa do câmbio e a postura confortável dos compradores com a crescente incerteza sobre o potencial produtivo da 2ª safra de 2026. Enquanto as altas são limitadas, o risco climático em regiões estratégicas como Goiás, Minas Gerais e parte de Mato Grosso impede recuos mais acentuados. O impasse mantém a liquidez restrita no físico, com produtores retraídos à espera de um prêmio de risco mais claro e indústrias operando de forma pontual. O mercado interno vive uma dicotomia produtiva que mantém os preços em um nível considerado "barato" pela indústria, mas sob alerta de risco climático.
Embora a Região Sul e parte de Mato Grosso apresentem uma 2ª safra de 2026 robusta após o retorno das chuvas, estados como Goiás e Minas Gerais enfrentam problemas severos de desenvolvimento, com plantas que não atingiram a altura ideal. No mercado físico, a distância entre comprador e vendedor segue acentuada. As indicações de compra para o mercado interno chegam a R$ 56,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto o vendedor pede R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF. A safra de milho da Argentina, que deve ser 10 milhões de toneladas maior que a anterior, ajudará a abastecer a Região Sul do Brasil, limitando altas explosivas no curto prazo na região.
Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, a situação é de baixa demanda e incerteza produtiva. A indústria local está bem abastecida, o que pressiona os preços no spot para a casa dos R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2026, as indicações variam entre R$ 47,00 e R$ 49,00 por saca de 60 Kg FOB. O fator determinante para a retração é o comprometimento das lavouras. A falta de chuvas em momentos críticos reduziu o potencial de produtividade de forma irreversível em diversas áreas de Mato Grosso. Diante da incerteza do potencial produtivo, o produtor está à espera de uma definição sobre o tamanho da colheita e o impacto da frente fria que atravessa o País.