12/May/2026
O Itaú BBA avaliou que a 2ª safra de milho de 2026 entra na fase final de desenvolvimento com risco produtivo concentrado nas regiões centrais do Brasil, diante da irregularidade das chuvas ao longo de maio. As áreas mais tardias de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais permanecem mais vulneráveis, especialmente durante a fase de enchimento de grãos. Os mapas climáticos indicam grande variabilidade de precipitações para a região central do País no restante de maio, enquanto os maiores volumes de chuva devem se concentrar nas Regiões Sul e Sudeste. A avaliação é de que a persistência do padrão mais seco poderá elevar o risco de perdas de produtividade nas lavouras mais tardias, que ainda dependem de precipitações regulares para consolidar o potencial produtivo. O avanço da transição para o período seco também adiciona pressão ao cenário.
Até o fim de maio, as temperaturas tendem a cair gradualmente nas principais regiões produtoras de grãos do País em razão do avanço do outono. Na Região Centro-Oeste, os termômetros devem permanecer dentro da normalidade, com noites mais amenas, mas sem ocorrência de frio intenso. Nas Regiões Sudeste e no Sul, a queda das temperaturas tende a ser mais perceptível, com maior amplitude térmica e possibilidade de madrugadas frias, principalmente no Paraná. Esse ambiente aumenta a atenção sobre as áreas plantadas fora da janela ideal, mais expostas à combinação de menor umidade do solo e temperaturas mais baixas. Nos Estados Unidos, o cenário climático permanece mais favorável.
As condições seguem adequadas para o desenvolvimento inicial das lavouras, com chuvas suficientes para sustentar o plantio antecipado no Meio Oeste norte-americano. A previsão climática para o restante de maio indica manutenção de precipitações regulares, reduzindo o risco de déficit hídrico nas fases iniciais das lavouras de milho e soja e limitando, por enquanto, os prêmios de risco climático para a safra norte-americana. Além das condições de curto prazo, o mercado também monitora a possível formação do fenômeno El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima cerca de 61% de probabilidade de transição das condições neutras para El Niño entre maio e julho, com possibilidade de persistência até o fim de 2026. Os sinais indicam tendência de um evento de intensidade moderada a forte.
Historicamente, esse padrão climático favorece chuvas acima da média na Região Sul do Brasil e precipitações abaixo da média nas Regiões Norte e Nordeste. Os impactos mais relevantes devem aparecer no segundo semestre, influenciando culturas de inverno, a qualidade do trigo e o início da próxima safra de verão (1ª safra 2026/2027). Em abril, o clima no Brasil registrou precipitações inferiores às observadas em 2025, especialmente na região central do País. Embora o tempo mais seco tenha favorecido a colheita da soja e do milho safra de verão (1ª safra 2025/2026), aumentou a preocupação com o desenvolvimento da 2ª safra de milho de 2026. Em Mato Grosso, os volumes de chuva permaneceram suficientes para sustentar o desenvolvimento das lavouras. Em Goiás, Paraná, São Paulo e Minas Gerais predominou o estresse hídrico, ampliando o risco de perdas de produtividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.