11/May/2026
No Brasil, os preços do milho seguem recuando na maior parte das regiões, influenciados pela maior oferta em decorrência da colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e dos estoques de passagem elevados da temporada 2024/25. Neste cenário, compradores indicam facilidade na realização de efetivações e aguardam novas baixas. Do lado vendedor, parte deles se mostra mais flexível nas negociações no spot. Com armazéns recebendo lotes da safra de verão (1ª safra 2025/2026) de soja e milho e os estoques de passagem remanescentes da última temporada, há maior necessidade de liberação de armazéns e de formar caixa. As quedas só não são mais intensas devido à preocupação com o atual clima nas regiões produtoras da 2ª safra: algumas áreas enfrentam falta de chuva e altas temperaturas. Além disso, a previsão de frentes frias voltou ao radar dos agentes. Caso isso se confirme, o potencial produtivo das lavouras pode ser reduzido. Até o momento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que serão produzidas 109,11 milhões de toneladas na 2ª safra de 2026.
O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de 1,3% nos últimos sete dias, cotado a R$ 66,07 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os valores registram recuo de 0,7% no mercado de lotes (negociações entre as empresas), mas avanço de 0,8% no mercado de balcão (valor pago ao produtor). Na B3, os vencimentos são pressionados pelas quedas do dólar e dos preços internacionais. Nos últimos sete dias, o vencimento Maio/26 tem baixa de 2,8%, a R$ 66,02 por saca de 60 Kg. O contrato Setembro/26 registra recuo de 3,3% no mesmo período, a R$ 67,39 por saca de 60 Kg. Com a semeadura da 2ª safra de 2026 finalizada, agentes seguem atentos ao desenvolvimento. No caso da safra de verão (1ª safra 2025/2026), a colheita avançou 4,7%, somando 66,7% da área nacional, segundo dados da Conab divulgados no dia 1º de maio. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) aponta que a colheita do cereal da safra de verão (1ª safra 2025/2026) alcançou 99% até o dia 4 de maio. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater-RS, a colheita está em ritmo lento.
Na semana passada, os trabalhos de campo progrediram apenas 2%, totalizando 93% da área até o dia 7 de maio. Em Santa Catarina, a colheita foi praticamente finalizada, alcançando 99% das lavouras até o dia 1° de maio, segundo a Conab. O Deral/Seab divulgou as novas estimativas de produção para a safra 2025/26 no Paraná no final de abril. A estimativa para produção da safra de verão (1ª safra 2025/2026) é de 3,93 milhões de toneladas, 30% superior ao colhido em 2024/25. Para a 2ª safra de 2026, projeção de produção é de 17,38 milhões de toneladas, queda de apenas 1% em relação à temporada anterior. As recentes chuvas reduziram o estresse hídrico em partes das regiões do Paraná. Os futuros do milho voltaram a recuar nos últimos dias, pressionados pela queda nos valores do trigo (ambos tendem a registrar a mesma movimentação visto que são substitutos diretos na ração animal), pela desvalorização do petróleo, que diminui a competitividade relativa do etanol, já que o biocombustível é feito principalmente com milho, e pelo forte avanço da semeadura nos Estados Unidos.
Na Bolsa de Chicago, os vencimentos Maio/26 e Jul/26 apresentam baixa de 2,5% e 1,53% nos últimos sete dias, a US$ 4,52 por bushel e a US$ 4,67 por bushel, respectivamente. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou no dia 3 de maio que 38% da área estimada havia sido semeada nos Estados Unidos, diante do bom avanço de 13% entre as duas últimas semanas, o percentual semeado é o observado no mesmo período de 2025, mas superior à média das últimas cinco temporadas (de 34%). Na Argentina, a colheita chegou a 30,1% da área total, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Em abril, os embarques brasileiros de milho seguiram acima dos da temporada passada, apesar de as exportações não serem tipicamente o foco do mercado neste momento. Esse movimento reflete os negócios antecipados do cereal, pois as efetivações no spot nos portos têm sido pontuais. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em abril (considerando-se 20 dias úteis), os embarques somaram 473,87 mil toneladas, superando em expressivos 166% os de abril/25. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.