08/May/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir condicionado ao comportamento do câmbio e à evolução do clima nas regiões produtoras da 2ª safra, com espaço para alguma recuperação no curto prazo caso as chuvas voltem a diminuir. Ainda há grande diferença regional no desenvolvimento da 2ª safra de 2026. Mato Grosso segue em condição majoritariamente favorável, enquanto Paraná e Mato Grosso do Sul receberam chuvas e têm previsão de novos volumes ao longo de maio, o que reduz parte da incerteza. O quadro é mais delicado em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e regiões próximas, onde a falta de chuva pode afetar a produtividade.
Se os mapas climáticos continuarem desfavoráveis nessas áreas, os preços podem incorporar prêmio adicional por uma 2ª safra de 2026 menor. Dependendo do clima, tem algum espaço para alta no curto prazo. Esse movimento, porém, depende do câmbio. A valorização recente do Real e a queda do milho na Bolsa de Chicago têm dado tom baixista ao mercado. Ainda assim, uma piora efetiva da safra brasileira pode se sobrepor parcialmente à pressão externa. O mercado interno de milho apresenta uma dinâmica de forças opostas entre as Regiões Sul e Centro-Oeste.
No Paraná, na região de Ponta Grossa, o milho disponível encontra suporte entre R$ 61,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF, com negócios pontuais registrados para fábricas de ração. A demanda das indústrias é bem pontual e a oferta é escassa. Então, poucos negócios são feitos no spot. Quanto à 2ª safra de 2026, a comercialização segue travada, com tradings indicando R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em agosto, equivalente a R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB no interior do Estado, desestimulando o avanço das vendas antecipadas.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, o mercado interno está "confortavelmente comprado" e aguarda a colheita para ver os preços caírem. No spot, as indústrias locais, cientes da necessidade de venda do produtor para abrir espaço nos armazéns para o milho, indicam em torno de R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2026, novos negócios fluem de forma lenta, com cooperativas registrando a venda de volumes pontuais entre R$ 47,00 e R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarques a partir de agosto. O divisor de águas na região continua sendo a janela de plantio. O produtor que cumpriu o calendário em fevereiro está seguro, enquanto os lotes plantados tardiamente geram incerteza sobre a produtividade final. Isso está travando a oferta de quem ainda não sabe o tamanho da safra.