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08/May/2026

Preços do milho sustentados pelo mercado interno

Segundo a Argus, a guerra no Oriente Médio ainda gera incertezas quanto à logística e aos custos de frete nas exportações brasileiras de milho para o Irã, principal destino, mas a demanda interna, sobretudo das usinas de etanol, deve amenizar os efeitos do conflito na comercialização do cereal. As vendas para o Irã são fundamentais para o equilíbrio do mercado do cereal na 2ª safra, que começa a chegar ao mercado em junho. Nesta temporada, a continuidade do conflito na região impõe desafios ao transporte do cereal, visto que as rotas tradicionais seguem bloqueadas e as despesas operacionais aumentaram. Em 2025, o Brasil vendeu ao Irã 3,52 milhões de toneladas de milho, com receita de US$ 706,74 milhões.

No primeiro trimestre de 2025, o volume embarcado somou 2 milhões de toneladas, o equivalente a US$ 461,07 milhões, mas em 2026, no mesmo período, não passou de 560,72 mil toneladas, com receita de US$ 114,72 milhões. Para o Egito, mercado alternativa ao Irã, os embarques de milho somaram no ano passado 3,33 milhões de toneladas e US$ 676,62 milhões em receita. No primeiro trimestre de 2026 também caíram ante o ano anterior: foram 315,66 mil toneladas (US$ 62,43 milhões) ante 1,3 milhão de toneladas (US$ 283,72 milhões) em 2025. Embora o Egito também esteja posicionado em uma zona de tensões, as condições logísticas favorecem o comércio com o país.

No primeiro trimestre do ano, os portos de Barcarena e Itaqui, na Região Norte do País, ganharam relevância no embarque para o Egito devido ao custo de frete inferior ao do Porto de Santos (SP). O respiro diante de um mercado de exportação ainda incerto vem da demanda interna. A expansão das usinas de etanol de milho no País, hoje com 27 unidades em operação, e a produção de DDG (grãos secos de destilaria, usados como ração animal) estão dando suporte aos preços. O mercado interno é o que está sustentando porque paga um pouco mais e o produtor prefere vender para a usina que está ao lado da fazenda. A comercialização da safra está adiantada neste ano.

Até o fim de março teriam sido negociados 40 milhões de toneladas, à frente dos 30 milhões de toneladas em igual período do ano anterior, o que é atribuído à alta do dólar e à demanda interna. Está melhor que o ano passado, mas ainda é pouco considerando o tamanho da safra. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de milho na 2ª safra de 2026 é estimada em 110 milhões de toneladas. A oferta abundante do cereal retirou a urgência de compra e de formação de estoques dos players. Na outra ponta, produtores adotam cautela na hora de comercializar à espera de preços mais atrativos, ou fazem negócios quando precisam de espaço em armazéns ou fazer caixa.

O comprador não está comprando volumes grandes antecipadamente e o vendedor só vende quando precisa. Ainda em relação à safra que se desenvolve no campo, há possibilidade de contratempos climáticos, em especial com a formação do El Niño. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam mais de 50% de probabilidade de ocorrência do fenômeno no trimestre atual, podendo atingir 90% em julho. O El Niño é associado a tempo seco na Região Centro-Oeste, o que pode afetar cerca de 30% das áreas de milho semeadas fora da janela ideal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.