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07/May/2026

Preços sustentados por risco climático da 2ª safra

O mercado brasileiro de milho segue sustentado por um prêmio climático em regiões de 2ª safra, mas sem sinal de aperto relevante na oferta de curto prazo, o que limita movimentos mais firmes. As recentes altas na B3 refletem sobretudo o risco climático, com perdas pontuais já observadas em áreas de Goiás, oeste do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul, ainda que o quadro nacional permaneça equilibrado. Apesar dos problemas regionais, o desenvolvimento das lavouras segue positivo em boa parte do País, especialmente em Mato Grosso, o que deve evitar uma quebra significativa na produção.

Não deve haver uma redução significativa da oferta de milho na 2ª safra de 2026. O balanço de oferta e demanda não indica aperto no curto prazo. Além do clima, o câmbio tem papel relevante na formação dos preços, mesmo fora da janela principal de exportação. A valorização recente do Real, em movimento considerado mais estrutural, reduz a paridade de exportação e limita o avanço das cotações domésticas. Esse efeito tende a persistir à medida que o mercado passa a incorporar um cenário de moeda brasileira mais forte, influenciado, entre outros fatores, pela dinâmica das commodities energéticas.

No Paraná, o milho apresenta quedas no mercado spot. Na região de Campo Mourão, a indicação de compradores chega a R$ 62,52 por saca de 60 Kg CIF, enquanto na região de Ponta Grossa, a indicação é de R$ 62,91 por saca de 60 Kg CIF. Na região de Cascavel, as indústrias de proteína animal indicam R$ 53,09 por saca de 60 Kg CIF. Embora as chuvas recentes tenham afastado momentaneamente o risco climático, o Paraná ainda deve enfrentar dois meses críticos de desenvolvimento, especialmente na região norte do Estado, onde o potencial de estiagem permanece no radar. Para 2ª safra de 2026, tradings e indústrias indicam R$ 66,75 por saca de 60 Kg CIF. Os produtores não estão ativos na comercialização por conta do receio de não saber o que vão colher e se vão colher. A safra não está definida.

Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, o mercado opera com baixa liquidez, com indicações de indústrias no spot variando entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada imediata e pagamento em 30 dias. Para 2ª safra de 2026, as cotações estão pressionadas. Os preços registram recuo de R$ 1,00 por saca de 60 Kg nos últimos sete dias, para o intervalo de R$ 51,00 a R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB, influenciados pela ausência de grandes compradores internacionais, como o Irã, e pela perspectiva de uma safra robusta. Apenas uma perda produtiva severa, superior a 15 milhões de toneladas em nível nacional, teria força para alterar o atual patamar de preços.