06/May/2026
O mercado brasileiro de milho registra fraca movimentação, refletindo uma desconexão entre as altas superiores a 1% na Bolsa de Chicago e a realidade das cotações internas, que pouco reagiram na B3 e no mercado físico. O setor vive um momento de incerteza sobre o real potencial da 2ª safra de 2026, com relatos de estresse hídrico que se estendem do leste de Mato Grosso até Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Diante do alto custo do dinheiro e da proximidade das primeiras colheitas no final de maio, a indústria trabalha à medida que necessita, evitando a formação de estoques. Na outra ponta, os produtores estão temendo os efeitos do El Niño na produtividade e vislumbrando preços mais altos no segundo semestre.
Em São Paulo, na região de Campinas, há uma distância de R$ 4,00 a R$ 5,00 por saca de 60 Kg entre o que o comprador quer pagar e o que o vendedor aceita. Ainda assim, fábricas de ração indicam entre R$ 60,00 e R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em maio e pagamento em junho. Os produtores resistem e indicam R$ 65,00 por saca de 60 Kg FOB, alegando margens negativas abaixo disso. Para 2ª safra de 2026, tradings indicam até R$ 68,50 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em agosto e pagamento em setembro, mas as negociações ainda não avançam.
Em Mato Grosso, na região de Rondonópolis, o milho disponível segue travado. Compradores e vendedores forçam as cotações, sem encontrar um ponto de equilíbrio para novas liquidações imediatas. Para 2ª safra de 2026, o mercado apresenta uma boa movimentação. Há registro de negócios entre R$ 50,00 e R$ 51,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarques de julho a outubro.