06/May/2026
O etanol de milho do Brasil superou uma etapa regulatória relevante na Organização Marítima Internacional (IMO), dando ao país vantagem sobre os Estados Unidos e outros concorrentes na corrida para fornecer biocombustíveis ao transporte oceânico. O etanol de milho da 2ª safra é o primeiro biocombustível compatível com transporte marítimo a ter sua pegada de carbono definida e aprovada pela IMO. A decisão remove um obstáculo importante para o biocombustível brasileiro antes da entrada em vigor de um marco global da IMO para reduzir emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo, o que pode impulsionar produtores de milho e traders de etanol no País. O marco de emissões zero da IMO foi aprovado em abril de 2025, mas sua adoção formal foi adiada para dezembro de 2026 após pressão dos Estados Unidos. As regras devem abrir caminho para o fim do petróleo como principal combustível do transporte marítimo e viabilizar alternativas mais limpas.
O setor de transporte marítimo responde por 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo estudo da IMO de 2020. Se fosse um país, seria o sexto maior emissor do mundo, entre Japão e Alemanha, de acordo com o Banco Mundial. O Comitê de Proteção do Meio Marinho da IMO, que se reuniu na semana passada em Londres, aprovou um “valor padrão” de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule para o etanol brasileiro produzido a partir do milho de 2ª safra. O valor de referência, usado para medir eficiência energética e redução de emissões, é de 93,3 gramas de CO₂ equivalente para o bunker fuel. Trata-se de um avanço emblemático. A aprovação do default value sinaliza às empresas de navegação quais combustíveis alternativos podem ser escolhidos. O etanol de milho da 2ª safra do Brasil é o primeiro a receber essa classificação. Outros combustíveis renováveis precisarão da mesma aprovação à medida que a IMO busca concluir seu marco global, que estabelecerá penalidades e incentivos no esforço de reduzir emissões.
O milho 2ª safra é plantado após a colheita da soja nas mesmas áreas e deve representar quase 80% da produção total do grão no atual ano comercial. O setor afirma que o etanol de milho brasileiro tem, por natureza, menor intensidade de carbono do que o biocombustível dos Estados Unidos, devido a fatores como o uso de biomassa na produção e a possibilidade de plantar duas safras. Empresas no Brasil começaram a produzir etanol de milho em 2017. Embora o etanol ainda seja majoritariamente derivado da cana-de-açúcar, o milho, em menos de uma década, passou a responder por quase um quarto da produção. O Brasil também busca aprovação técnica da IMO para o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel produzido a partir de soja e sebo bovino para uso no transporte marítimo. Enquanto isso, empresas se preparam para reduzir sua própria pegada de carbono em viagens oceânicas. A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, fez no mês passado um pedido inicial de dois navios da classe Guaibamax movidos a etanol. Fonte: Bloomberg Línea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.