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30/Apr/2026

Preços do milho dependem da evolução da 2ª safra

O mercado brasileiro de milho deve seguir atento ao clima nas regiões produtoras fora de Mato Grosso, com os contratos mais longos refletindo a expectativa de oferta menor e balanço mais apertado em 2026. A reação recente dos preços está ligada principalmente ao prêmio de risco sobre a 2ª safra de 2026. Compradores, indústrias e exportadores trabalham com a leitura de uma oferta mais restrita, diante do atraso no plantio e da falta de chuvas em parte das lavouras. No Paraná, por exemplo, há áreas semeadas em condições ruins após estiagem em janeiro e fevereiro. Em Mato Grosso, apesar do atraso pontual em regiões como Rondonópolis e Primavera do Leste, as chuvas sustentam a expectativa de produtividade dentro do ideal.

Em partes de Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, a combinação entre plantio tardio e clima mais seco no fim de abril elevou o risco produtivo. Maio tende a ser decisivo para confirmar ou reduzir esse prêmio. Os mapas ainda indicam alguma chuva para Mato Grosso do Sul e Paraná, mas regiões centrais, como Minas Gerais, Goiás, São Paulo, norte de Mato Grosso do Sul e Tocantins, seguem com perspectiva mais seca, dentro do padrão do Cerrado nesta época. Tudo isso já incorpora a leitura do mercado de incluir um prêmio de risco sobre a oferta da 2ª safra de 2026 deste ano. No mercado interno, o milho atravessa um momento de transição, onde a oferta disponível e a 2ª safra de 2026 começam a convergir em preço.

No Paraná, na região de Cascavel, a curva de preços não tem tendência definida, com o spot e a 2ª safra de 2026 sendo negociados ambos a R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF. Esse fenômeno incomum para o final de abril ocorre devido à retração das indústrias de frango e suínos, que, com margens pressionadas, evitam fazer estoques agora. Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, enquanto o milho disponível segue restrito a negócios pontuais de consumo interno a R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB, o mercado acompanha de perto o risco climático da 2ª safra de 2026. Na 2ª safra de 2026, a preocupação com a seca eleva as indicações para o patamar entre R$ 48,00 e R$ 48,50 por saca de 60 Kg FOB, mas as negociações não avançam. Na ponta vendedora, a prioridade não é o preço, mas sim entender qual será o real potencial produtivo de suas lavouras diante da irregularidade hídrica.