ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

28/Apr/2026

Preços do milho firmes com a demanda aquecida

O mercado de milho começa a semana com atenção no desenvolvimento da 2ª safra de 2026, que será decisivo para a formação de preços nas próximas semanas. Os riscos de oferta neste momento estão concentrados na 2ª safra brasileira de 2026, que depende de condições favoráveis entre o fim de abril e o início de maio. O mercado internacional continua bem abastecido. Safras recordes nos Estados Unidos e no Brasil continuam pesando sobre os preços e limitando os valores internacionais do milho. A Argentina também caminha para uma safra forte, possivelmente recorde, o que adiciona pressão baixista no curto prazo. Do lado da demanda, há sustentação no consumo global, especialmente para etanol. Os preços mais baixos dos últimos dois anos estimularam a demanda, enquanto a produção de etanol de milho cresce nos Estados Unidos, no Brasil e em países como a Índia.

A demanda global é um dos pilares que sustentam os preços internacionais neste momento. A geopolítica também segue no radar. O conflito envolvendo o Irã influencia o milho por meio da alta do petróleo e dos fertilizantes, especialmente nitrogenados, dos quais o país é exportador relevante. Custos mais altos podem pressionar margens do produtor e estimular redução de área de milho em algumas regiões, o que seria fator de suporte mais à frente. Para os próximos meses, o mercado deve acompanhar o clima no Brasil, o início da safra norte-americana e o possível desenvolvimento de um El Niño forte no segundo semestre. Apesar dos riscos, o mercado ainda não precifica um forte suporte pelo lado da oferta. Demanda forte e tensões geopolíticas dão sustentação, mas a oferta elevada ainda impede uma alta mais decisiva. No mercado interno, o destaque é o contraste entre a oferta restrita na Região Sul e o otimismo produtivo na Região Centro-Oeste.

No Paraná, na região de Ponta Grossa, observa-se diminuição na oferta física, com o spot travado devido a divergências de agentes quanto aos preços. Os compradores indicam R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF, mas os negócios só fluem quando chegam aos R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF, que é o piso aceito pelo vendedor. O produtor tem segurado as vendas de milho e só libera lotes quando os preços da soja ficam menos atrativos, mas a disponibilidade está curta. Chuvas recentes beneficiaram as lavouras da 2ª safra de 2026 e o mercado aguarda novas precipitações para consolidar as apostas, enquanto os compradores testam níveis mais baixos sem sucesso.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, o clima é de euforia após novas chuvas. A expectativa é de uma colheita robusta, o que tem levado produtores a travarem lotes mesmo em níveis de preços inferiores aos do passado. há registro de negócios a até R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB, para liquidação em agosto. Na região de Nova Guarita, há registro de negócios a R$ 47,00 por saca de 60 Kg FOB, para pagamento em setembro e na região de Juara, a R$ 40,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em maio e pagamento em junho. O alerta para o produtor é a janela curta: com a colheita começando em algumas áreas já em 20 de maio, a tendência é de queda nos preços conforme a oferta física aumentar. No spot, o milho remanescente da safra 2025 está sendo negociado na paridade da safra nova para limpar os estoques.