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24/Apr/2026

Preços sustentados por preocupação com 2ª safra

A percepção de que a 2ª safra de 2026 pode ficar bem abaixo das estimativas mais otimistas já começou a mexer com o humor do mercado. O atraso no plantio elevou a exposição das lavouras ao tempo seco e ao calor em quase todas as regiões, com exceção de Mato Grosso. O potencial produtivo já está comprometido em parte importante do Paraná, de Mato Grosso do Sul e de Goiás. A projeção de 109,1 milhões de toneladas para a 2ª safra de 2026 divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está sendo considerada otimista. Os relatos de campo apontam perdas crescentes e piora rápida em áreas sem chuva.

Em Goiás, produtores já trabalham com a possibilidade de perdas de 30% a 40% caso o tempo seco persista por mais alguns dias. Com isso, o mercado tende a ficar mais comprador nos próximos dias, ainda que os preços do físico não tenham reagido de forma mais clara até agora, pois os compradores não querem pressionar o mercado para cima. Se a quebra da 2ª safra de 2026 se confirmar, o milho pode encontrar espaço para novas altas ao longo do segundo semestre, diante de um quadro de demanda firme e oferta mais limitada. Há demanda recorde para ração e etanol. A exportação do segundo semestre já comprou parte da 2ª safra de 2026 para embarque à frente. A oferta de milho vai ficar limitada e o produtor vai querer valorizar esse milho.

Em São Paulo, na região de Campinas, fábricas de ração indicam R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB. Com relação à 2ª safra de 2026, o fluxo de vendas diminuiu após o produtor recuar diante de um clima mais firme, que estimulou a retenção do grão. Tradings mantêm a indicação entre R$ 64,50 e R$ 65,50 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em agosto e pagamento em setembro, mas os produtores indicam a partir de R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF.

Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, o mercado vive um momento de "espelhamento", com os preços do spot e da 2ª safra de 2026 nivelados entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB. Esse valor não atrai os produtores, que indicam pelo menos entre R$ 54,00 e R$ 56,00 por saca de 60 Kg. Além da questão de preço, a preocupação com o clima voltou ao radar. Embora as lavouras estejam, em geral, boas. Áreas plantadas no fim de março ainda dependem de chuvas para consolidar o potencial produtivo.